Steve Reigate / Pool via AP
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'Se fracassarmos, as gerações futuras não nos perdoarão', diz Boris Johnson na COP-26

Também no evento, secretário-geral da ONU destacou riscos à Amazônia, enquanto Joe Biden afirmou que Estados Unidos estão comprometidos com redução de emissões

Redação, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2021 | 10h52
Atualizado 03 de novembro de 2021 | 10h20

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, inaugurou nesta segunda-feira, 1º, a Cúpula do Clima (a COP-26) em Glasgow, com um apelo para acelerar os esforços contra as mudanças climáticas. "Se fracassarmos, as gerações futuras não nos perdoarão. Elas nos julgarão com amargura - e terão razão", disse ele a mais de cem chefes de Estado e governo reunidos no evento global para discutir esforços contra o aquecimento global. 

Também no evento, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, destacou os riscos à Amazônia em sua fala. Já o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, reconheceu que o país não foi um exemplo nas questões sobre alterações climáticas no passado, pediu desculpas por ações de Trump e prometeu mudanças.

Johnson recorreu à figura do "filho mais ilustre da Escócia", o agente secreto James Bond, para fazer uma analogia entre as aventuras da ficcção para salvar o mundo e a ameaça real ao planeta. "Estamos quase na mesma posição que James Bond, exceto que a tragédia não é um filme", disse. "O relógio está correndo", alertou.

O líder do Reino Unido foi um dos críticos da falta de um consenso climático mais ambicioso após a reunião das 20 maiores economias do globo  (G-20), realizada no fim de semana, em Roma. A resistência de China, Índia e Rússia, dentre outros países, impediu que se fixasse um prazo para a neutralidade climática. 

Biden ressaltou, por sua vez, que os Estados Unidos estão comprometidos com as metas de redução de emissões dos gases do efeito estufa até o final desta década. “É por isso que minha administração está trabalhando com hora extra para mostrar que nosso compromisso com o clima é ação, não palavras", declarou.

"Acho que não deveria me desculpar, mas peço desculpas pelo fato de que os Estados Unidos –no último governo– ter se retirado do Acordo de Paris”, afirmou Biden durante a COP-26.

Também afirmou que esta década é decisiva para o futuro e que as questões climáticas estão devastando o mundo. O projeto dos Estados Unidos, disse, é reduzir as emissões dentro do país com um pacote de investimento de US$ 555 bilhões e apoiar países em desenvolvimento com um orçamento de US$ 3 bilhões em 2024, destinado a mudanças para combater a crise climática.

Já Guterres destacou que partes da Floresta Amazônica “agora emitem mais carbono do que absorvem”. Em julho, uma pesquisa publicada na revista científica Nature mostrou que a parte sudeste da Amazônia se tornou uma grande fonte de emissão de CO2. “Este é o momento de dizer basta. Basta de brutalizar a biodiversidade, de matar a nós mesmos com carbono, de tratar a natureza como uma latrina e de cavar nossa própria cova”, disse ele, que também ressaltou os esforços insuficientes dos países até agora. 

Antes de Guterres, discursou na COP-26 Txai Surui, jovem ativista de Rondônia que defende o povo Paiter Suruí, na Amazônia. Ela lembrou que a poluição e as mudanças climáticas causam impactos à floresta. “Os rios estão morrendo e nossas plantas não crescem como antes”, disse. Também pediu ações urgentes: “Não é 2030 ou 2050. É agora.” Sem citar nominalmente o governo Jair Bolsonaro, a ativista também exortou a participação dos povos indígenas nas decisões sobre as o tema e criticou o que chamou de "mentiras vazias" e "promessas falsas".

Bolsonaro ficou de fora da lista de 117 autoridades e chefes de Estado e governo que participam nesta segunda, e terça, 2, da primeira parte do segmento de alto nível da Cúpula do Clima na Escócia. O presidente está na cidade italiana Pádua, terra de seus antepassados, após participar do encontro do G-20.

Ele decidiu não ir à Convenção do Clima, argumentando que se tratava de uma “estratégia nossa”. O vice-presidente Hamilton Mourão disse que se Bolsonaro fosse ao evento iriam “jogar pedra” no presidente. A COP-26, no entanto, será um palco político importante para o Brasil, que contará com a participação de governadores e do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), entre outros.

Apesar disso, o Planalto preparou um vídeo de cinco minutos do presidente para ser exibido no pavilhão do Brasil, em Glasgow, junto com um espaço montado em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília. O ministro Joaquim Leite também falou ao vivo por 15 minutos. Ele está em Brasília e viajará para Glasgow na semana que vem.

Em seus discursos, Bolsonaro e Leite anunciaram aumento da meta climática do País. Segundo o anúncio do governo federal, a nova previsão é cortar 50% das emissões de gases de efeito estufa até 2030 - antes, esse patamar era de 43%. 

O que é a COP-26?

A COP-26, que começou neste domingo e seguirá até o dia 12, discute ações climáticas que possam fortalecer o combate ao aquecimento global com base nas metas do Acordo de Paris, pacto assinado em 2015. A conferência ocorre em um momento em que eventos climáticos extremos - como secas, inundações e ondas de calor - têm sido cada vez mais frequentes.

O relatório do IPCC, painel intergovernamental de mudanças climáticas da ONU, mostrou este ano que o planeta deve ficar 1,5ºC mais quente do que na era pré-industrial já na década de 2030, dez anos antes do inicialmente previsto. Por isso, decisões políticas tomadas pelos líderes ao longo da COP-26 são determinantes para salvar o planeta, mas há grandes desafios para chegar a um acordo. /AGÊNCIAS INTERNACIONAIS 

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