Satélite vai monitorar todos os biomas

Só a Amazônia é acompanhada hoje; desmate no cerrado preocupa

João Domingos, de O Estado de S. Paulo,

17 Abril 2009 | 01h19

A partir de agora, além da Amazônia, todos os demais biomas do território brasileiro – caatinga, cerrado, mata atlântica, Pantanal e pampa – serão monitorados por sistema de satélites, anunciou ontem o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. A ampliação é resultado da utilização dos satélites Landsat (americano) e Alos (japonês, cuja imagem consegue passar pelo bloqueio das nuvens), ao lado dos sistemas Deter e Prodes, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

 

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Como o ministério fechou convênio com a Universidade Federal de Goiás no ano passado – e a instituição já tinha um trabalho sobre cerrado –, depois da Amazônia esse é o bioma que está com os estudos mais adiantados. A conclusão é que o desmatamento no cerrado é ainda mais preocupante que na Amazônia.

 

De 2002, ano em que as primeiras imagens de cerrado começaram a ser examinadas pela UFG, até agora, verificou-se uma redução de cerca de 10% na vegetação original numa área monitorada de 284 mil km2. O cerrado tem, ao todo, 2.039.387 km2. Significa dizer que o cerrado tem perdido 1,5% de sua área por ano, porcentual três vezes superior ao da Amazônia, que é de desmatamento de 20% em 40 anos ou uma média de 0,5% por ano.

 

Atualmente, de acordo com o ministério, 60,41% desse bioma ainda tem a vegetação original. Segundo Minc, o primeiro levantamento completo sobre o cerrado deverá ser concluído em setembro deste ano. "Com esse resultado, nós vamos estabelecer metas de preservação do cerrado, assim como já fazemos com a Amazônia."

 

O cerrado se espalha por dez Estados e o Distrito Federal. É o segundo maior bioma dos seis existentes no País, perdendo apenas para a Amazônia, e considerado uma das savanas mais ricas do mundo por causa do contato biológico com biomas vizinhos. É também uma das áreas de avanço da fronteira agrícola e pecuária, principalmente para o plantio de soja e de cana-de-açúcar e formação de pastagens. Pelos cálculos do Laboratório de Processamento de Imagem e Geoprocessamento (Lapig) do Instituto de Estudos Socioambientais da UFG, até 2050 o desmatamento no cerrado deve reduzir a área preservada para 1 milhão de km2.

 

Mapeamento completo

 

Até abril do próximo ano, 25 técnicos, dos quais 22 especializados em geoprocessamento, deverão concluir também o mapeamento da caatinga, mata atlântica, Pantanal e pampa.

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