Reprodução/ Estadão Blue Studio
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São Paulo aposta no uso inteligente do metano para diminuir emissão de carbono

Cidade investe na transformação do lixo residencial em biogás para abastecer sua frota com combustível limpo

MWM e Weber Ambiental, Estadão Blue Studio

25 de março de 2022 | 08h00

Maior cidade da América Latina, São Paulo tem como um dos seus principais desafios o enfrentamento às mudanças climáticas. A cidade já adotou como meta contribuir com um aquecimento global abaixo de 1,5ºC - o que equivale a diminuir em 45% as emissões de CO2 até 2030 (em relação ao nível de 2010) e zerar essas emissões até 2050. O compromisso está no Plano Climático da Cidade de São Paulo, o PlanClima SP. E a busca por alternativas para atingir essas metas, inclusive com a redução e uso inteligente do metano, já está em andamento na capital paulista. 

Com o tema Metanização do Lixo Rumo ao Carbono Zero, o assunto foi discutido em live promovida pelo Estadão Blue Studio e que contou com a participação de Antonio Fernando Pinheiro Pedro, secretário executivo de Mudanças Climáticas do Município de São Paulo; Alessandro Perencin, diretor executivo na Weber Consultoria e Engenharia Ambiental, e Cristian Prates Malevic, diretor de Motores e Geradores da MWM. A conversa foi mediada pelo jornalista José Luiz Tejon Megido. 

Parte do metano gerado no planeta vem da decomposição de lixo orgânico depositado em aterros. São Paulo produz, em média, 13 mil toneladas de resíduos sólidos residenciais por dia. O dado positivo é que, a partir de um processo de transformação, esse metano que poderia poluir a atmosfera e contribuir com o aquecimento global pode se transformar em um aliado do meio ambiente ao ser convertido em biogás, para ser utilizado não somente na geração de energia, mas também como combustível veicular.

"O metano é uma das emissões que mais nos preocupam. Com esse volume enorme, a produção de resíduos em nossa cidade é a terceira fonte de emissões de gases de efeito estufa no município", afirmou o secretário Antonio Fernando Pinheiro Pedro. "O que fazer com essa questão? O uso energético do gás de efeito estufa liberado pela gestão dos resíduos é o que efetivamente contribui para a redução dessas emissões", complementou. 

E já estão em uso tecnologias focadas na captação desse gás metano proveniente dos aterros. "Na biodigestão, usamos os resíduos orgânicos que são provenientes de lixo, mas também provenientes de algumas atividades industriais específicas, além da agropecuária. Todos esses fornecedores de matéria nos trazem um produto muito rico que, passando pelo biodigestor, gera biogás. E esse biogás purificado vira um biometano, que pode ser utilizado como várias fontes de energia", explicou Alessandro Perencin, diretor executivo na Weber Consultoria e Engenharia Ambiental. 

De acordo com o secretário Antonio Fernando Pinheiro Pedro, a ideia é que esse biogás seja utilizado como combustível não só pela frota própria das concessionárias que cuidam da questão do lixo, mas também pelos demais motoristas e pelos ônibus que fazem o transporte coletivo na capital. "Temos a meta de redução de emissões. E nada melhor do que reduzir as emissões globais fazendo uso do metano para que ele possa ser utilizado como combustível no sistema dos ônibus que fazem o transporte de passageiros", afirmou. Ele destacou também a economia que existe neste processo. "Esse uso pode reduzir custos, porque esses carros que hoje usam gasolina, que está cada vez mais cara, podem fazer uso do gás natural como uma forma de economizar", afirmou.   

A MWM Motores e Geradores vem trabalhando em produtos que rodam com esse tipo de combustível e também desenvolveu tecnologia para converter veículos a diesel em veículos movidos a biogás, como explicou Cristian Prates Malevic, diretor de Motores e Geradores da MWM. "Decidimos levar uma solução de transformação de veículos movidos a diesel em veículos movidos a biometano ou eventualmente a gás natural, por meio da instalação de um novo motor e demais componentes. O secretário nos entrega, por exemplo, um caminhão a diesel, nós fazemos todo o trabalho técnico e de regularização de documentação, devolvemos o veículo movido a biometano e, com o combustível que o Alessandro gera, a gente consegue fazer com que esse trabalho tenha sucesso."

Como tudo em São Paulo, o desafio da transformação da frota é de grandes proporções. São, segundo o secretário, mais de 8 milhões de veículos emplacados na cidade e 14.300 ônibus. Mas, segundo ele, a cidade está pronta para essa virada. "Não é só possível fazer, como estamos fazendo. Nós produzimos o biometano e devemos utilizá-lo como fonte de energia também para aumentar nossa resiliência face as mudanças climáticas."

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