Gabriela Biló/ Estadão
Gabriela Biló/ Estadão

Salles vai a clube de tiro, enquanto sua agenda no ministério registra 'atividades remotas'

Informação é utilizada pelo ministério para informar que o servidor está em horário de trabalho, mas não de forma presencial

André Borges, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2020 | 16h15

Brasília – O ministro do Meio Ambiente (MMA), Ricardo Salles, passou parte da tarde da sexta-feira, 2, em um clube de tiros de Brasília, enquanto a sua agenda oficial, publicada pelo ministério, registrava que Salles tinha “atividades remotas”.

A informação de “atividade remota” é utilizada pelo ministério para informar que o servidor, neste caso o ministro, está em horário de trabalho, mas não de forma presencial, e sim, remotamente.

A reportagem apurou que Salles chegou ao clube de tiro por volta das 15h00 e lá permaneceu até as 17h00. O ministro estava acompanhado de algumas pessoas.

Questionado sobre o fato de ter ido praticar tiros em um horário em que sua agenda oficial informa estar em trabalho, Ricardo Salles afirmou que estava em seu horário de almoço. “Eu fui, em minha hora de almoço, e retornei ao MMA em seguida”, disse ao Estadão. “Estava (lá) mesmo e, em seguida, voltei ao MMA e fiquei lá trabalhando até as 20h30”, disse.  A agenda do ministro não inclui nenhum compromisso após as 17h00.

Perguntado se costuma frequentar clubes de tiro, Salles afirmou apenas que “às vezes” vai a esses locais e, com mais frequência, em Brasília.

Nesta última sexta-feira, 2, foram identificados 122 focos de incêndio no Pantanal, região que enfrenta, neste ano, as maiores queimadas da história. Entre 1 de janeiro e 04 de outubro, o Pantanal soma 18.838 focos de incêndio, quantidade que já supera todo o volume registrado nos anos inteiros de 2017, 2018 e 2019.

Em relação à área queimada, o Pantanal registra 18.646 km² de território consumido pelo fogo entre 1 de janeiro de 31 de agosto, quase três vezes o volume de área queimada nos primeiros oito meses de 2019 (6.472 km²). No bioma Amazônia, são 34.373 km² de área queimada entre janeiro e agosto deste ano, volume inferior ao mesmo intervalo do ano passado (43.573 km²), quando foi registrado um recorde na região, mas que representa o dobro de 2018, 17.553 km² de florestas amazônicas foram perdidos.

Ricardo Salles tem visitado as regiões nas últimas semanas e afirma que o governo tem dedicado todo recurso disponível para combater os incêndios. 

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