Adriano Machado/ Reuters
Adriano Machado/ Reuters

Salles diz que governo vai pedir que OEA exija esclarecimentos da Venezuela sobre origem de petróleo

No mês passado, o país governado por Nicolás Maduro negou qualquer relação com o óleo

André Borges, O Estado de S. Paulo

23 de outubro de 2019 | 21h40

BRASÍLIA - O Ministro do Meio Ambiente (MMA), Ricardo Salles, fez um pronunciamento na noite desta quarta-feira, 23, em rede de televisão e rádio, para reafirmar que a origem do petróleo que contamina mais de 2 mil quilômetros do litoral no Nordeste é venezuelano.

Segundo Salles, por determinação do presidente Jair Bolsonaro, o Brasil vai encaminhar um pedido formal à Organização dos Estados Americanos (OEA), para que a Venezuela preste esclarecimentos sobre o petróleo cru. No mês passado, após as primeiras manifestações brasileiras a respeito da origem venezuelana do material, o país governado por Nicolás Maduro negou qualquer relação com o óleo.

Em sua declaração, Salles disse que o objetivo do governo é “determinar as causas e origens desse óleo” para “fazer cessar o seu aparecimento no litoral brasileiro”, além de “obter informações que nos permitam responsabilizar aqueles que tenham contribuído para esse desastre ambiental”.

O ministro mencionou que o Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA), formado por membros do Ibama, Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustívei (ANP) e Marinha está em atuação para conter o avanço e a retirada do petróleo do litoral.

Salles disse ainda que o efetivo nas ações foi ampliado em 1.500 pessoas e que atualmente chega a 5 mil profissionais. O ministro lembrou ainda de iniciativas já anunciadas, como o pagamento de seguro defeso em novembro para 6 mil pescadores da região atingida, o que custará R$ 59 milhões.

O pronunciamento de Salles é, mais que um esclarecimento, uma reação às fortes críticas que ele tem sofrido, por atrasos em decisões importantes sobre o combate à tragédia ambiental. O ministro nega atrasos e diz que, desde o início, o governo federal agiu.

Reportagem publicada nesta terça-feira, 22 , pelo Estado mostrou que o Plano Nacional de Contingência do governo federal, um documento criado em 2013 para lidar com situações de emergência como a do vazamento de petróleo, só foi oficialmente formalizado pelo ministro do Meio Ambiente no dia 11 de outubro, 41 dias depois de terem surgido as primeiras manchas de petróleo no litoral.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.