Rússia acha que Copenhague acabará sem acordo obrigatório

Divergências entre os países participantes da cúpula impedirá a assinatura de um tratado, afirma Kremlin

Efe,

08 Dezembro 2009 | 17h37

O Kremlin opinou nesta terça-feira, 8, que a cúpula da ONU contra a mudança climática em Copenhague terminará sem a aprovação de um documento obrigatório e afirmou que a Rússia só reduzirá suas emissões de dióxido de carbono sob certas condições.

 

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"Já é evidente que (em Copenhague) não se assinará nenhum acordo jurídico importante" devido às divergências entre os países participantes, assegurou à imprensa o assessor econômico da Presidência russa, Arkadi Dvorkovich.

 

O representante do Kremlin opinou que na cúpula "provavelmente, só será aprovada uma declaração política conjunta, ou uma série de declarações nacionais, assim como uma "Mapa de Caminho" para o processo anterior negociador", segundo a agência "Interfax".

 

O funcionário indicou que a Rússia está disposta a assumir por escrito o compromisso de reduzir 25% de suas emissões de dióxido de carbono até 2020, desde que "seja completada uma série de condições".

 

Entre estas está a previsão de que participem no futuro acordo todas as potências econômicas que formam o seleto Grupo dos Oito (Estados Unidos, Canadá, Japão, Alemanha, Reino Unido, Itália, França e Rússia) e os integrantes do grupo Bric (Brasil, Rússia, Índia e China).

 

Dvorkovich afirmou que a Rússia está disposta a manter dentro desse acordo sua participação no programa de ajuda financeira aos países mais pobres, mas ressaltou que "não pode assumir compromissos desmesurados" e destinaria para esse fim US$ 200 milhões.

 

Perguntado sobre a possibilidade que as cotas nacionais de redução das emissões referendadas no Protocolo de Kioto passem a fazer parte do novo acordo, chamado para substituí-lo em 2012, o funcionário disse que a Rússia não insistirá nisso, mas também não se oporá se assim o decidem todos os participantes.

 

Sobre os interesses específicos do Kremlin nessa cúpula - onde a delegação russa estará liderada pelo vice-primeiro-ministro primeiro, Ígor Shuvalov -, Dvorkovich indicou que a Rússia, que tem grandes reservas florestais, considera menosprezado o papel das florestas na absorção do dióxido de carbono.

 

Acrescentou que a Rússia, que enfrenta a tarefa premente de modernizar sua economia, pede que se facilite internacionalmente a transferência de tecnologias para a modernização da indústria para reduzir a emissão de gases.

 

O escândalo, que maculou a cúpula de Copenhague, foi provocado pelo vazamento de dados roubados e organizados de forma tendenciosa supostamente para desprestigiar os lutadores contra a mudança climática.

 

"Essa ação infeliz foi organizada com a intenção de influenciar no processo de Copenhague", denunciou hoje Rajendra Pachauri, o presidente do Painel Intergovernamental de Analistas sobre a Mudança Climática, cujo relatório de 2007 sobre as seqüelas do aquecimento global para o planeta foi manchado pelo "Climagate".

 

Segundo meios de imprensa britânicos, as pistas deste ato de hackers parecem apontar para Rússia, que se opõe a um novo acordo climático, pois consideram desvantajosas as normas atuais e pedem mais concessões.

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