Agência Brasil
Agência Brasil

Rômulo Mello, presidente do ICMBio, morre aos 58 anos

Técnico de carreira do Ibama, Mello foi responsável por consolidar o novo órgão ambiental, criado em 2007 para fazer a gestão das unidades de conservação federais; estava pela segunda vez no cargo

Giovana Girardi, O Estado de S. Paulo

10 Outubro 2016 | 16h16
Atualizado 11 Outubro 2016 | 14h12

(Atualizada com informações sobre o velório)

O presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Rômulo Mello, morreu na manhã desta segunda-feira, 10, aos 58 anos, vítima de um infarto.

Primeiro a ocupar o cargo no instituto, que foi criado em 2007 como um desmembramento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama) para atuar especificamente na gestão das unidades de conservação federais, Mello foi responsável por consolidar o órgão. Voltou ao posto em junho deste ano, a convite do recém-empossado ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho.

Engenheiro agrônomo formado pela Faculdade de Ciências Agrária do Pará, Mello ocupou vários cargos no governo federal na área ambiental. Foi técnico de carreira do Ibama desde sua fundação, em 1989, chegando à presidência em 2002. Só deixou o cargo em 2007, quando foi para o ICMBio, inicialmente como diretor de Conservação da Biodiversidade e, a partir de julho de 2008, como o primeiro presidente.

Chegou ao cargo máximo do no órgão após se submeter a um processo seletivo que incluía apresentar um plano de gestão para o ICMBio. Foi selecionado por um comitê formado pela então ministra Marina Silva, o então secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, e pelos ambientalistas Paulo Nogueira Neto, Fábio Feldmann e Cláudio Valladares Pádua.

Pediu demissão do ICMBio no começo de 2012, já na gestão Izabella Teixeira, alegando estar cansado após quatro anos à frente do órgão, mas segundo foi noticiado na época, teria ocorrido um desgaste de sua relação com a ministra.

Enquanto era presidente do Ibama, foram criados 6,8 milhões de hectares de áreas protegidas, distribuídos por 20 unidades de conservação (UCs) federais, entre elas o Parque Nacional das Montanhas do Tumucumaque. Depois, enquanto era presidente do ICMBio, foram criadas mais 12 unidades de conservação.

O ministro Sarney Filho lamentou a morte do amigo: “Testemunhamos, na convivência com ele, a sabedoria, a inteligência e a paixão que dedicou às questões socioambientais, na nossa luta cotidiana pelo meio ambiente. Sua amizade e seu trabalho, firme e generoso, farão imensa falta na nossa gestão”.

Sua atuação em prol da conservação também foi elogiada por ambientalistas. “Ele foi uma pessoa muito presente na história da construção do sistema de meio ambiente, sempre muito parceiro, agregador. A questão ambiental era tão presente em sua vida que não era possível dissociar o meio ambiente da imagem dele", comentou por meio de nota Mário Mantovani, diretor de Políticas Públicas da Fundação SOS Mata Atlântica. 

"Muito preparado, conhecia bem o tema das Unidades de Conservação, mas também dominava a parte administrativa e de governo, uma habilidade rara. Então transitava bem por todas as áreas”, complementou.

Mello deixa mulher e três filhos. O velório será realizado nesta terça-feira, 11, na Capela 3 do Cemitério Campo da Esperança, em Brasília, das 14 às 17 horas. Após o velório, o corpo seguirá para cerimônia de cremação, reservada à família e amigos próximos. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.