Rio fecha maior aterro sanitário da América Latina

Criado em 1978 à beira da Baía de Guanabara, antigo lixão de Jardim Gramacho recebia 9,5 mil toneladas de resíduos por dia

Vinicius Neder, O Estado de S.Paulo

04 Junho 2012 | 03h07

RIO - O Aterro Metropolitano de Jardim Gramacho finalmente foi fechado ontem. Após 34 anos, o maior aterro sanitário da América Latina deixa de macular a imagem do País e do Rio às véspera da Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável.

Presente ao ato simbólico de fechamento do lixão antes da Rio+20 - promessa da prefeitura -, a ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, lançou o "desafio de o Estado do Rio de Janeiro ser o primeiro a cumprir a Política Nacional de Resíduos Sólidos".

Segundo o secretário estadual de Meio Ambiente do Rio, Carlos Minc, todos os aterros sanitários no entorno da Baía de Guanabara serão fechados até o fim do ano. A Política Nacional de Resíduos Sólidos, instituída pela Lei 12.305, de 2010, prevê o fechamento de todos os lixões do País até 2014. A ministra Izabella definiu o cumprimento do prazo para implantação da política como um "desafio imenso".

"O prazo é muito curto, mas é importante que os instrumentos para a concepção desse objetivo sejam consolidados", disse Izabella, em entrevista coletiva, lembrando que a responsabilidade de erradicação dos lixões é dos municípios.

Segundo ela, o governo federal financia iniciativas locais de adequação à lei. "Os Planos Municipais de Resíduos Sólidos são necessários para a erradicação do lixões. Além disso, até o fim do ano implantaremos, em quatro cadeias, a estrutura de logística reversa."

Criado em 1978 à beira da Baía de Guanabara, sobre área de manguezal e cercado pelos Rios Iguaçu e Sarapuí, o Aterro de Gramacho recebia 9,5 mil toneladas de lixo por dia. A maioria (75%) vinda do Rio. A montanha de lixo ocupava uma área de 1,3 milhão de metros quadrados.

Até 1996, os despejos eram feitos sem nenhum critério.

"Passamos os últimos 30 e poucos anos cometendo um enorme crime ambiental, que é esse lixão às margens da Baía de Guanabara", disse o prefeito do Rio, Eduardo Paes.

A partir de 1996, a Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) transformou Gramacho num aterro sanitário, instalando um sistema de drenagem para coletar e tratar o chorume. Dejetos de serviços de saúde passaram a ter descarte próprio.

O ícone da mazela humana, porém, continuava lá: o lixo só era espalhado e coberto com barro ou cascalho após ser revirado pelos catadores, ao lado de urubus.

O lado social do desastre ambiental foi alvo de polêmicas em torno da indenização de R$ 14 mil paga a cerca de 1,7 mil catadores. A lista dos contemplados foi elaborada por associações dos trabalhadores.

Segundo a assistente social Valéria Pereira Bastos, da Associação de Catadores do Aterro Metropolitano de Jardim Gramacho (Acamjg), as regras para inclusão dos beneficiados foram definidas em reuniões com cerca de 1,2 mil trabalhadores.

A Acamjg é a entidade de Sebastião Santos, protagonista do documentário Lixo Extraordinário, que mostra o processo de criação do artista plástico Vik Muniz com lixo recolhido em Gramacho. "Agora é vida nova", disse Santos, após a cerimônia.

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