JOSE PATRICIO/ESTADÃO
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Rio espera tirar 3 bilhões de sacolas plásticas de circulação por ano

Lei que proíbe distribuição e venda de sacolas descartáveis entra em vigor nesta quarta

Roberta Jansen, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2019 | 00h18

RIO - O Rio espera reduzir em nada menos que três bilhões por ano o número de sacolas plásticas em circulação no Estado. Entra em vigor nesta quarta-feira, 26, uma lei que proíbe a distribuição e a venda de sacolas descartáveis em estabelecimentos comerciais. Os primeiros a adotarem a medida serão as grandes redes de supermercados. Até o fim do ano, no entanto, todo o comércio deverá aderir à nova lei.

Segundo a Associação de Supermercados do Estado, o consumo atual das sacolas convencionais, produzidas 100% com petróleo, é de quatro bilhões por ano. Com a proibição, os mercados passarão a disponibilizar novas sacolas, produzidas com pelo menos 51% de fontes renováveis, como milho e cana, e que poderão ser reutilizadas por até 50 vezes. 

“Atualmente, são 20 bilhões de sacolas em apenas cinco anos”, frisou o deputado estadual Carlos Minc (PSB), autor da lei. “É claro que o meio ambiente não aguenta.”

Até dezembro, os mercados vão distribuir gratuitamente duas sacolinhas recicláveis para cada cliente. Quem quiser usar mais, terá de pagar R$ 0,08 por unidade. A partir de janeiro, todas serão cobradas. Mas mesmo essas sacolas deverão ter seu uso gradualmente reduzido já a partir do próximo ano.

“A nossa lei foi fortemente inspirada na de São Paulo”, admitiu Minc. “Mas avançamos em pontos que deram problema por lá, como limitar o preço da sacola reutilizável e, durante os primeiros seis meses, determinar a distribuição gratuita de duas delas.”

Fruto da lei 8006 do ano passado, a medida visa a reduzir o impacto do plástico no meio ambiente. Além de poluir os mares e envenenar a vida marinha, o material contribui para o aquecimento global, dado o volume de emissões de carbono registrado em sua decomposição.

Dados do Banco Mundial mostram que o Brasil é o quarto maior produtor de lixo plástico do mundo, com 11,3 milhões de toneladas, atrás apenas de Estados Unidos, China e Índia. Isso dá uma média de um quilo de lixo plástico por habitante a cada semana. E apenas 1,2% do total é reciclado - muito abaixo da média mundial, que chega a 9%.

“A Baía de Guanabara é um grande exemplo de como o descarte incorreto de plástico provoca um problema grave”, disse o diretor do AquaRio, o biólogo marinho Marcelo Szpilmann. “Hoje, o maior problema é o lixo descartado de forma incorreta nos rios que desembocam na baía, onde temos verdadeiras ilhas de plástico.”

Para o biólogo, as campanhas são fundamentais não apenas para reduzir o volume do plástico em circulação, mas também para conscientizar a população.

“As campanhas servem de alerta”, acredita Szpillmann. “Muita gente que não sabe de nada no mínimo vai parar para pensar ‘por que isso está acontecendo?’, ‘por que estão proibindo?’, forçando a sociedade a se inteirar sobre o problema. O plástico mata milhões de animais todos os dias.”

Mais plástico do que peixes

Pesquisa da Fundação Ellen MacArthur divulgada em 2017 fez um grave alerta: se o uso do plástico continuar aumentando na atual proporção em todo o mundo, em 2050 haverá mais plástico do que peixes nos oceanos. Atualmente, de 5 milhões a 13 milhões de toneladas de plástico são jogadas nos mares anualmente.

Além de todo o dano que o material pode causar diretamente aos animais, ele acaba entrando na cadeia alimentar de aves marinhas, peixes e outros organismos. Uma pesquisa do ano passado da Universidade de Ghent, na Bélgica, revelou que quem costuma comer frutos do mar ingere até 11 mil pequeninos fragmentos de plástico por ano.

No ano passado, o Rio já havia se tornado a primeira cidade brasileira a abolir o canudo plástico - um exemplo seguido nesta terça-feira por São Paulo. O município não tem números da redução de canudos, mas é unanimidade entre os especialistas que houve uma diminuição considerável.

“Não temos um balanço, mas a redução é visível”, afirmou a coordenadora de mobilizações da ONG Meu Rio, Debora Pio, que lançou a campanha pelo fim do uso do canudo de plástico. “Além disso, houve uma discussão muito grande sobre o tema, uma verdadeira mudança de cultura na cidade, onde muita gente adotou, inclusive, o canudo de metal; foi uma mudança de postura, de consciência dos cariocas.” / COLABOROU DENISE LUNA

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