Ricos precisam fornecer recursos contra a mudança climática, diz Brasil

Países prometeram ajuda na última cúpula, mas o mecanismo não foi definido até agora

Afra Balazina, de O Estado de S. Paulo - enviada especial a Bonn

09 Junho 2010 | 17h25

Seis meses depois de os países industrializados se comprometerem a fornecer uma quantia de US$ 30 bilhões entre 2010 e 2012 para ajudar os países menos desenvolvidos a cortar as emissões de gases que provocam o aquecimento global e fazer a adaptação de países vulneráveis às mudanças climáticas, ainda não há clareza de quanto cada país contribuirá nem a forma da distribuição.

 

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A ideia era ter US$ 10 bilhões ao ano nesse período. Para o Brasil, é fundamental que a promessa dos recursos seja cumprida neste ano, na COP 16, em Cancún. Isso é necessário para recobrar a confiança perdida pelos países na negociação de um tratado climático global no ano passado, na Conferência do Clima da ONU em Copenhague (COP 15).

 

Segundo o embaixador brasileiro Luiz Figueiredo Machado, os recursos podem dar origem a ações concretas em pelo menos em três áreas: adaptação às mudanças inevitáveis do clima, investimento em tecnologia e projetos de Redd (evitar emissões de carbono por meio da conservação das florestas).  

  

Até agora, quem deu mais detalhes de sua proposta foi a União Europeia, que colocará 2,4 bilhões de euros nesse fundo chamado de Fast Start.

 

Os países em desenvolvimento têm demonstrado grande preocupação com a possibilidade de os ricos retirarem dinheiro de outras áreas, como saúde, para colocarem no fundo de clima. No jargão da negociação climática, os recursos precisam ser "novos e adicionais".

 

"Esperamos que seja recurso novo e adicional, mas tenho minhas dúvidas se será neste ano", diz o embaixador extraordinário do Brasil para mudança climática, Sérgio Serra.

 

O mais provável é que neste ano os recursos sejam menores, e compensados no ano seguinte - isso porque o anúncio ocorreu no fim de 2009 e os países já estavam no meio do ano fiscal. 

 

África. Na opinião do embaixador Serra, não será possível ter um acordo legalmente vinculante em Cancún.

 

"Mas isso não significa que seja um fracasso. Temos de ver Cancún como um passo depois de Copenhague e um passo em direção a COP 17 na África do Sul, onde temos de concluir a negociação", afirmou.

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