Reunião dos EUA sobre clima deve discutir corte de emissões

ONU diz que iniciativa patrocinada pelos Estados Unidos entre os maiores poluidores deve incentivar reduções

ALISTER DOYLE, REUTERS

29 de janeiro de 2008 | 13h40

As negociações sobre o clima a serem comandadas pelos EUA no Havaí, nesta semana, precisam concentrar-se nos esforços para fixar metas de corte nas emissões de gases do efeito estufa a serem adotadas pelos países mais poluentes, disse na terça-feira uma autoridade da Organização das Nações Unidas (ONU). O debate sobre a limitação das emissões desses gases, produzidos principalmente na queima de combustíveis fósseis, precisa "engatar uma quinta marcha" se houver a intenção de fazer com que seja elaborado um plano ainda neste ano, afirmou Yvo de Boer, chefe da área de mudanças climáticas da ONU. De Boer referia-se ao encontro marcado para acontecer nos dias 30 e 31 de janeiro, em Honolulu. "As negociações contam com uma agenda bastante ampla neste momento. Acho que seria útil se conseguíssemos nos concentrar na imposição de limites às emissões", afirmou a autoridade em entrevista concedida à Reuters por telefone, antes de partir rumo aos EUA. As negociações de Honolulu são a segunda rodada de uma série de encontros vistos com desconfiança por alguns aliados dos norte-americanos. Para esses aliados, há dúvidas sobre a disposição do presidente dos EUA, George W. Bush, em combater o aquecimento global. No ano passado, ao anunciar as reuniões realizadas pelos 16 maiores emissores de gases do efeito estufa do mundo, Bush disse que os participantes elaborariam, até o final de 2008, uma "meta global de longo prazo para reduzir os gases do efeito estufa", incluindo "ambiciosas metas nacionais de médio prazo". Segundo Bush, esse plano seria depois integrado a um acordo elaborado atualmente sob o comando da ONU e que deve ser concluído em Copenhague no fim de 2009. Esses esforços buscam brecar o aquecimento da Terra, fenômeno responsável por recrudescer ocorrências climáticas como as enchentes, as secas, a elevação do nível dos oceanos e as ondas de calor. De Boer observou ainda ser difícil para Bush, cujo mandato termina no dia 20 de janeiro do próximo ano, fixar metas de emissão de carbono para os EUA neste momento, quando "há vários projetos de lei ainda em discussão na Câmara dos Representantes (deputados) e no Senado norte-americanos." Porém, segundo a autoridade da ONU, os encontros patrocinados pelo governo Bush, que também devem tratar de questões como tecnologias limpas e a remessa de ajuda, poderiam ser úteis. Ao encontro no Havaí devem comparecer representantes dos EUA, da Austrália, do Brasil, da Grã-Bretanha, do Canadá, da China, da França, da Alemanha, da Índia, da Indonésia, da Itália, do Japão, do México, da Rússia, da África do Sul e da Coréia do Sul. De Boer falará em nome da ONU. E a União Européia (UE) também deve enviar um representante.

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