Reunião do G-8 cria bases para acordo sobre clima, diz Obama

Principais potências concordam que temperatura global não deve aumentar mais de dois graus Celsius

Reuters e Efe,

10 Julho 2009 | 10h51

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse nesta sexta-feira, 10, que o acordo obtido pelos países mais industrializados do mundo(G-8), e pelos emergentes (G-5) sobre as mudanças climáticas deve impulsionar um tratado mais amplo na reunião da ONU em Copenhague, na Dinamarca em dezembro.

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As principais potências concordaram durante a reunião de L'Áquila, na Itália, que a temperatura global não deve aumentar mais de dois graus Celsius até 2050. Os países industrializados se comprometeram com uma redução 50% das emissões globais de CO2 até 2050, da qual seriam responsáveis por 80%. Os países emergentes se negam a estipular metas.

Obama fez à comunidade internacional um apelo na colaboração para combater a mudança climática e a proliferação nuclear, ao assegurar que esses perigos "ameaçam a paz e a prosperidade de cada país". Segundo o presidente americano, apesar dos progressos obtidos na reunião, ainda há muito a fazer.

"Não concordamos com tudo, mas mostramos que unidos podemos ter progressos", disse Obama. "Os problemas globais mais graves não podem ser resolvidos apenas por um país".

O acordo

O texto não chega a definir metas para a redução dos gases do efeito estufa - apenas objetivos, termo diferente para a diplomacia, pois não são mandatórios - e ressalta conflitos entre países desenvolvidos e emergentes no debate do tema.

Uma fonte da diplomacia brasileira insistiu que a ausência de metas quantitativas não ofusca o objetivo dos líderes do MEF de definir um "rumo político" para as discussões em andamento no âmbito da Convenção do Clima. Por ser um documento assinado por chefes de Estado, afirmou, a declaração tende a dar uma linha clara para o acordo sobre mudança climática, que deve ser concluído na Conferência do Clima das Nações Unidas, em dezembro.

Os países emergentes concordaram sobre a necessidade de suas políticas de desenvolvimento serem acompanhadas de ações de controle das emissões e da incorporação de novas tecnologias, para impedir a repetição da tradicional curva de crescimento econômico com aumento das emissões. Trata-se de uma "meta camuflada", uma vez que essas ações serão contabilizadas - e cobradas.

Em sua declaração sobre mudança climática e ambiente, o G-8 insistiu que os países em desenvolvimento também devem assumir uma meta quantitativa - corte de 20% nas emissões. A declaração do G-5 (Brasil, China, Índia, México e África do Sul), por sua vez, bateu na tecla da necessidade de metas ambiciosas para os países desenvolvidos e de maior empenho deles para o financiamento de iniciativas dos emergentes e pobres.

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