Reunião da ONU em Bali entra em fase decisiva

Negociadores dizem que algumas arestas podem ter de ser aparadas por ministros.

Eric Brücher Camara, BBC

09 de dezembro de 2007 | 16h30

Depois de seis dias de intensas negociações entre as delegações de mais de 190 países, a conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) para mudança climática em Bali, Indonésia, teve um dia de pausa neste domingo - antes de iniciar a fase crítica do encontro na segunda-feira.Na quarta-feira, começa em Bali a etapa ministerial do encontro, com a presença de diversas autoridades mundiais, entre elas, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, e o ministro do Exterior, Celso Amorim.Por isso, os negociadores vão começar a semana em ritmo acelerado, para tentar aparar as últimas arestas antes da chegada das autoridades."O começo é tranqüilo, a partir de segunda feira até a sexta-feira à noite é que vai pegar fogo. Em Buenos Aires, a última sessão durou 26 horas", disse à BBC Brasil o chefe da delegação brasileira em Bali, embaixador Everton Vargas.Para esta segunda semana do encontro, são esperadas também celebridades envolvidas em questões ambientais como Leonardo di Caprio, Bianca Jagger e o ex-vice-presidente e prêmio Nobel Al Gore, entre outros.Segundo negociadores, durante a primeira semana de reuniões, as questões mais polêmicas não avançaram muito, apesar dos discursos otimistas na primeira sessão, na última segunda-feira."É comum a outras conferências que, na abertura, quando cada um expõe as suas idéias, que haja muita retórica", disse à BBC Brasil o embaixador extraordinário para Mudança Climática, Sérgio Serra.Entre os assuntos mais polêmicos, está a discussão sobre como tratar o desmatamento evitado no chamado "mapa do caminho" de Bali - como foi apelidado o documento que deve ser assinado pelos ministros na sexta-feira.Na parte dedicada à redução de emissões do desmatamento e degradação de florestas em países em desenvolvimento (REDD, na sigla em inglês), o Brasil defende uma proposta conhecida RED, ou seja, sem o D de degradação.Além disso, há a questão de como remunerar os países que efetivamente evitarem o desmatamento. O Brasil prefere a criação de um fundo gerido pelo próprio país, enquanto a maior parte dos outros prefere receber créditos de carbono que seriam comerciados dentro do mercado de créditos de carbono que já existe.As dificuldades nessa área, levaram o ministro Celso Amorim a dar uma guinada na estratégia brasileira, que agora vai buscar formar uma coalizão para tentar acertar os ponteiros com outros países.De acordo com o cientista e integrante do Painel Intergovernamental para Mudança Climática (IPCC, na sigla inglesa), Attiq Rahman, que participa do encontro como negociador por Bangladesh, a primeira semana ficou no patamar mais baixo das expectativas, mas destacou que o início das negociações é sempre lento."Discute-se palavra por palavra e ainda falta resolver grandes palavras. É uma primeira fase movida por interesses próprios, de visão muito estreita. Na maioria dos grupos de discussão há influência de grandes grupos de interesse", afirmou Rahman.Apesar disso, o especialista em meio ambiente afirma estar otimista de que o chamado mapa de Bali deve ser concluído até sexta-feira.Muitos reclamam também do volume de trabalho, maior do que de outros encontros, e que teria forçado os presidentes de alguns grupos a subdividirem as comissões para tentar dar conta a tempo de todas as questões a serem acertadas.Por outro lado, o diplomata Sérgio Serra, que participa das negociações de um grupo de trabalho que discute futuras ações de mitigação (combate), adaptação, transferência de tecnologia e financiamentos para essas ações, diz que elas parecem próximas de uma conclusão."Fiquei razoavelmente otimista de que os trabalhos sejam concluídos talvez antes da chegada dos ministros", disse Serra.Por sua vez, o secretário-executivo da conferência, Yvo de Boer, disse no sábado que já tem pronto o seu recado às autoridades que desembarcam em Bali nesta semana."Vou dizer: 'o mundo está aguardando por ações. Qual é a resposta política de vocês?'", afirmou de Boer.A reunião da ONU sobre mudança climática acaba na sexta-feira, dia 14 de dezembro.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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