Retração de gelo na Antártida ameaça sobrevivência de baleias

Relatório diz que a perda do gelo obrigará as baleias a viajarem mais 500 quilômetros em busca de comida

JEREMY LOVELL, REUTERS

19 Junho 2008 | 22h12

O recuo da camada de gelo na Antártida,fenômeno provocado pelo aquecimento global, colocará em perigoas já ameaçadas baleias migratórias ao reduzir suas áreas dealimentação, afirmou o Worldwide Fund for Nature (WWF) naquinta-feira. Em um relatório intitulado "Quebra-Gelo -- Empurrando asFronteiras para as Baleias", o grupo diz que o gelo marítimo doinverno será reduzido em até 30 por cento em alguns lugares,obrigando as baleias a viajarem mais 500 quilômetros em buscade comida. Além de retroceder, essa fronteira vital entre as águasgeladas e as águas mais quentes, que provoca a subida dosnutrientes consumidos pelo krill (do qual as baleias sealimentam), poderia encolher, reduzindo a quantidade de comidadisponível. "Essencialmente, o que estamos vendo é que as baleiasassociadas ao gelo como as baleias mink da Antártidaenfrentarão mudanças dramáticas em seu habitat dentro de umperíodo não muito maior do que o período de vida dessesanimais", afirmou Heather Sohl, dirigente do WWF. O prolongamento das rotas de migração não apenas faráaumentar o montante de energia usado pelas baleias para chegara suas áreas de alimentação como também reduzirá a temporada dealimentação por causa do tempo consumido para chegar até lá,afirmou o relatório. O documento foi divulgado para coincidir com o 60o encontroanual da Comissão Internacional Baleeira (IWC), que ocorre emSantiago (Chile), na próxima semana. Nesse encontro, o Brasildeve propor a criação de um Santuário para Baleias no AtlânticoSul. Países baleeiros como o Japão e a Noruega, de outro lado,realizam uma campanha para que seja levantada a moratória sobrea caça comercial de desses animais, adotada pelo IWC em 1982. Entre as baleias mais ameaçadas pelo derretimento do gelona Antártida encontram-se a baleia-azul, o maior animal domundo, e a cachalote. Só recentemente, essas espécies começaram a se recuperardepois de terem ficado à beira da extinção no século 20, antesda moratória da IWC entrar em vigor. Cientistas prevêem que as temperaturas médias do planetasubirão entre 1,8 e 4 graus Celsius neste século devido àemissão de gases do efeito estufa produzidos na queima decombustíveis fósseis em usinas de energia e em veículosautomotores -- e o aquecimento deve ser maior e mais rápido nospólos do globo terrestre. As previsões do WWF baseiam-se na premissa de que astemperaturas vão se elevar, até 2042, em 2 graus Celsius.

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