Thierry Roge/Reuters
Thierry Roge/Reuters

Representante da ONU pressiona por acordo em Copenhague

Yvo de Boer afirmou que 'não existe plano B' para o resolução sobre a redução de emissões de CO2

Efe,

25 Novembro 2009 | 15h04

O secretário-executivo da Convenção do Clima das Nações Unidas, Yvo de Boer, urgiu nesta quarta-feira, 25, a comunidade internacional a seguir o "plano de ação" de Copenhague (Dinamarca) e chegar a um acordo sobre a redução de emissões de dióxido de carbono (CO2). "Só há um Plano A, não há um Plan B de ação", disse o austríaco em coletiva de imprensa em Bonn (Alemanha), na qual apresentou as expectativas para a Convenção da ONU sobre Mudança Climática.

 

Veja também:

linkEUA vão propor corte de 17% em suas emissões em Copenhague

linkChina quer força de lei em meta ambiental só para ricos 

linkBrasil pode perder R$ 3,6 trilhões por causa do aquecimento global

 

 

A reunião dinamarquesa, marcada para entre 7 e 18 de dezembro, busca um acordo internacional de redução de emissões de CO2 que substitua o Protocolo de Kioto, que expira em 2012. Segundo o Painel Intergovernamental da Mudança Climática (IPCC), os países industrializados devem reduzir as emissões entre 25% e 40% em 2020 frente a 1990.

 

"Há muito em jogo. Não resta tempo para manobras técnicas nem para estratégias nacionais", afirmou De Boer. Para ele, é essencial que esse acordo não seja uma mera "declaração política", mas fixe os objetivos concretos de redução dos países industrializados, os planos dos emergentes e o financiamento que será destinado à adaptação para a luta contra a mudança climática. "Já em 2010, os países ricos deverão pôr sobre a mesa US$ 10 bilhões para a mitigação e a adaptação à mudança climática dos países em desenvolvimento", apontou.

 

Segundo os cálculos da ONU, a longo prazo, as necessidades de financiamento poderiam chegar a US$ 200 bilhões anuais para o corte de emissões e US$ 100 bilhões para financiar medidas de adaptação ao aquecimento global.

 

Para o secretário, o novo acordo deve estabelecer também de forma muito clara os sistemas através dos quais se administrará esse financiamento, de modo que seja possível empreender "ações imediatas" nos países em desenvolvimento.

 

Meta de redução dos EUA

 

De Boer celebrou o fato de o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ter decidido ir a Copenhague e qualificou sua presença de "crucial" para a adoção de um acordo que possa se transformar em um tratado vinculativo já nos primeiros meses de 2010. "O mundo está olhando para Washington", afirmou o austríaco, que acrescentou que os EUA são o único país industrializado que ainda não fixou objetivos concretos encaminhados a reduzir as emissões de CO2.

 

Os EUA lançaram um projeto de lei que contempla uma redução até 2020 de entre 17% e 20% em relação aos níveis de 2005 - os demais países tomam 1990 como referência.

 

De Boer afirmou também que não vê "motivos" para que os EUA pudessem se abster de assinar o acordo de Copenhague, apesar de não assinar o atual Protocolo de Kioto. Ele ainda minimizou a possibilidade de um tratado vinculativo não sair de Copenhague diretamente - um objetivo que se deu por perdido durante as negociações prévias. "Um acordo sólido permitirá que as medidas entrem em vigor de maneira imediata, sem ter de esperar a que entre em vigor o mecanismo político correspondente", assegurou.

 

"Planos ambiciosos"

 

De Boer elogiou os "planos ambiciosos" de países como China, Índia, México e Indonésia e citou que Brasil, Rússia e Coreia do Sul apresentaram propósitos similares nos últimos dias. "Precisamos de um último impulso por parte dos países industrializados", acrescentou o austríaco, que frisou que os países emergentes "parecem dispostos a cumprir sua parte".

 

De Boer pediu à União Europeia (UE) - que ofereceu uma redução de 20% que poderia elevar a 30% se outros países fizerem esforços similares - a esclarecer a condicionalidade de sua proposta e a deixar claro quais são seus objetivos.

 

A urgência de atuar frente ao aquecimento global ficou clara esta semana depois que o estudo científico internacional "Diagnóstico Copenhague" advertiu que, se medidas não forem aplicadas, a temperatura poderia subir até 7 graus no final do século, muito acima do limite de 2 graus defendido pelos especialistas.

 

Segundo o relatório, que teve participação do Instituto de Pesquisa do Clima de Potsdam, nos últimos 15 anos o nível do mar subiu mais de 5 centímetros e poderia subir mais de 2 metros no final do século, mais que o dobro que o estimado até agora.

Mais conteúdo sobre:
ONUCopenhagueclima

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.