Replantio de palmeiras atrai animais de volta a quilombo em SP

Projeto de reflorestamento facilitou retorno de mamíferos e aves; espécie híbrida é considerada ameaça

Fábio de Castro, O Estado de S. Paulo

20 Setembro 2014 | 22h00

ELDORADO E MIRACATU (SP) - Nascido na comunidade quilombola de Ivaporunduva, Vandir da Silva, 63 anos, testemunhou uma abundância de palmeiras juçara incomparável com o que se encontra hoje em áreas habitadas da Mata Atlântica. Situado no município de Eldorado (SP), no coração do Vale do Ribeira, o quilombo também tinha uma diversidade muito maior de pássaros e mamíferos. "Era tanta juçara que não parecia ter fim. Os cachos ficavam cheios de tucanos. Vinham macacos e porcos do mato. As onças apareciam para comê-los", disse Vandir.

No entanto, ao longo dos anos, a exploração intensa do palmito pelos próprios quilombolas reduziu drasticamente o número de palmeiras na região. "Comecei a cortar palmito quando eu tinha 10 anos. Hoje, quando eu penso na quantidade de palmeiras que eu derrubei, sinto até remorsos. Mas não havia outro jeito: era palmito na canoa e dinheiro no bolso", afirmou. Na década de 80, segundo ele, palmiteiros de fora da comunidade começaram a surgir. “Foi aí que sumiu tudo”, disse.

Em 2002, um projeto de repovoamento da juçara foi organizado pelo Instituto Socioambiental no quilombo. “Temos 200 hectares bem repovoados. Hoje já vemos jacutingas, cotias e ouvimos os macacos por perto”, declarou. Segundo ele, alguns vizinhos plantaram o híbrido de juçara e açaí. “Nós tentamos avisar o pessoal que o híbrido pode ser perigoso para a juçara. Aqui no terreiro, temos plantado pupunha”, contou.

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