Yoshikazu Tsuno/AP
Yoshikazu Tsuno/AP

Relatório do IPCC sugere adaptação baseada em ecossistemas

Modelo adotado no Brasil e região foi indicado como alternativa a infraestutura cara

Giovana Girardi - Enviada especial a Yokohama, no Japão,

31 Março 2014 | 07h00

Além das recomendações usuais para que os países invistam mais em infraestrutura para aumentar sua resiliência às mudanças climáticas, no novo relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado neste domingo, 30, ganhou espaço uma alternativa mais barata que pode, em alguns locais, conseguir efeitos parecidos: a adaptação baseada em ecossistemas.

O tema aparece em maior ou menor profundidade em cerca de metade dos capítulos e teve destaque especial no capítulo regional de América Central e do Sul, onde técnicas como criação de áreas protegidas, acordos para conservação e manejos comunitários de áreas naturais estão sendo testadas.

Mas o que isso tem a ver com adaptação? De acordo com o ecólogo Fabio Scarano, da Conservação Internacional, e um dos autores do capítulo, a ideia é fortalecer serviços ecossistêmicos que são fundamentais. Um ambiente bem preservado tem a capacidade de prover um clima estável, o fornecimento de água, a presença de polinizadores. "Como se fosse uma infraestrutura da própria natureza", diz. 

Como premissa, está a conservação da natureza aliada ao incentivo do seu uso sustentável - a fim também de evitar a pobreza, que é um dos principais motores da vulnerabilidade de populações. 

"Normalmente quando se fala em adaptação se pensa na construção de grandes estruturas, como um dique, por exemplo, para evitar uma inundação. O que em geral é  muito caro, mas em uma adaptação baseada em ecossistemas, conservar a natureza e usá-la bem é uma forma de diminuir a vulnerabilidade das pessoas às mudanças climáticas", afirma.

Ele cita como exemplo uma região costeira em que o mangue tenha sido degradado. "Esse ecossistema funciona como uma barreira. Em um cenário de ressacas mais fortes, elevação do nível do mar, a costa vai ficar mais vulnerável, será necessário construir diques. Mas se mantém o mangue em pé e se oferece um auxílio para que as pessoas possam ter uma economia básica desse mangue, com técnicas mais sustentáveis, e elas recebam para mantê-lo assim, vai ser mais barato do que depois ter de fazer um dique."

Segundo o pesquisador, para ser mais resiliente é importante acabar com a pobreza e preservar a natureza. "Se for possível ter os dois, a gente consegue o tão falado desenvolvimento sustentável", opina.

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