Dimitar Dilkoff/AFP
Dimitar Dilkoff/AFP

IPCC: lideranças globais falam em ações reais e imediatas para frear mudança climática

‘O que mundo exige agora é uma ação real’, declarou John Kerry, enviado especial dos EUA para questões climáticas; premiê britânico fala em 'chamada de atenção'

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2021 | 10h43
Atualizado 09 de agosto de 2021 | 16h07

Lideranças dos Estados Unidos, do Reino Unido e de organizações internacionais se manifestaram nesta segunda-feira, 9, sobre o recém-divulgado relatório do Painel Intergovernamental sobre o Clima da ONU (IPCC).  O material expõe que a Terra está esquentando mais rapidamente que o previsto e que parte dos impactos das mudanças climáticas são irreversíveis, dentre outros indicadores. 

O presidente estadunidense, Joe Biden, afirmou que o mundo não pode mais esperar para enfrentar a crise climática. "Os sinais são inconfundíveis. A ciência é inegável. E o custo da inação continua escalando", disse em postagem em rede social.

Comentário semelhante foi feito pelo enviado especial dos Estados Unidos para questões relacionadas ao clima, John Kerry: "O que o mundo exige agora é uma ação real. Todas as grandes economias devem se comprometer com ações climáticas agressivas durante esta década crítica."

O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, também se manifestou: “Este momento requer que os líderes mundiais, o setor privado e os indivíduos atuem juntos com urgência para fazer todo o necessário para proteger o nosso planeta", disse. "Não podemos retroceder mais uma ação climática ambiciosa.”

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, afirmou que o IPCC faz uma “chamada de atenção” para que o mundo tome medidas. “Está claro que a próxima década será fundamental para assegurar o futuro do nosso planeta”, apontou.

"Nós sabemos o que deve ser feito para limitar o aquecimento global: consignar o carvão para a história e mudar para fontes de energia limpa, proteger a natureza e fornecer financiamento climático para os países na linha de frente."

Para a ministra do Meio Ambiente da Alemanha, Svenja Schulze, o relatório “nos recorda mais uma vez que o tempo para salvar o mundo que conhecemos está se esgotando”.  Já o ministro das Relações Exteriores da Itália, Luigi di Maio, disse o levantamento expõe um problema que afeta a todos e em todos os aspectos da vida: “uma resposta efetiva precisa ser tomada, sem perder tempo."

O secretário-geral da ONU, António Guterres, também comentou sobre o relatório. "Os alarmes são ensurdecedores e as evidências são irrefutáveis: as emissões de gases de efeito estufa da queima de combustíveis fósseis e do desmatamento estão sufocando nosso planeta e colocando bilhões de pessoas em risco imediato. O aquecimento global está afetando todas as regiões da Terra, com muitas das mudanças se tornando irreversíveis”, ressaltou.

Ainda sobre o relatório, a ativista Greta Thunberg comentou que ele confirma o que já se sabia por meio de milhares de estudos: “que está em uma emergência”. “Cabe a nós sermos corajosos e tomar decisões com base nas evidências científicas fornecidas nesses relatórios. Ainda podemos evitar as piores consequências, mas não se continuarmos como hoje e não sem tratar a crise como uma crise.”

Países mais vulneráveis às mudanças climáticas exigem ações urgentes: 'esse é o nosso futuro'

Representantes das nações mais vulneráveis às mudanças climáticas se manifestaram publicamente. A embaixadora de Antígua e Barbuda e líder da negociação climática da Aliança dos Pequenos Estados Insulares (Aosis, em inglês), Diann Black-Layne, por exemplo, destacou que ações para desacelerar o aquecimento global podem reduzir o aumento do nível do mar a longo prazo. “Esse é o nosso futuro, bem ali.”

O embaixador do Fórum de Vulnerabilidade ao Clima (CVF, em inglês), que representa 48 nações, e ex-presidente das Maldivas, Mohamed Nasheed, ressaltou: "Estamos pagando com a vida pelo carbono que outra pessoa emitiu. Tomaremos medidas em breve para começar a enfrentar essa injustiça, que não podemos simplesmente aceitar."

Presidente do Grupo de Países Menos Desenvolvidos (LDC, em inglês, que representa 46 países), Sonam P. Wangdi, defendeu que as nações mais ricas precisam cumprir os acordos climáticos. “Necessitamos que os países desenvolvidos e os grandes emissores tomem uma iniciativa e reduzam as emissões. E precisamos ter certeza de que isso ocorrerá com urgência.”

Planeta vai esquentar 1,5ºC uma década antes do previsto e terá eventos climáticos extremos, diz ONU

A Terra está esquentando mais rápido do que era previsto e se prepara para atingir 1,5ºC acima do nível pré-industrial já na década de 2030, dez anos antes do que era esperado. Com isso, haverá eventos climáticos extremos em maior frequência, como enchentes e ondas de calor. 

A redução sustentada nas emissões de dióxido de carbono (CO2) e outros gases de efeito estufa, no entanto, ainda pode limitar as ameaças dessas mudanças climáticas.  Caso contrário, alguns dos efeitos diretos para países como o Brasil serão secas mais frequentes e a queda na capacidade de produção de alimentos.

A frequência desses eventos extremos está diretamente ligada ao quanto a Terra vai esquentar neste século. Ou seja, ainda resta uma “janela de oportunidade”, cada vez menor, para tentar limitar o aquecimento abaixo de 2ºC até 2100, como definido no Acordo de Paris em 2015 (pacto assinado por quase todos os países para conter o aquecimento do planeta). A postura negacionista de autoridades - como o presidente brasileiro Jair Bolsonaro e o ex-líder americano Donald Trump - tem sido apontada por especialistas como um dos principais obstáculos./COM INFORMAÇÕES DAS AGÊNCIAS EFE, REUTERS E AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.