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Relatório das Nações Unidas aponta situação de desigualdade das mulheres

Confira os números revelados pelo levantamento "Situação da População Mundial" de 2017, divulgado em outubro

Juliana Tiraboschi, O Estado de S.Paulo

15 Novembro 2017 | 09h28

Todos os anos o Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, na sigla em inglês) divulga o relatório "Situação da População Mundial", que foca em questões de interesse relacionadas a população e desenvolvimento. 

O UNFPA trata de questões populacionais e tem como missão ampliar as possibilidades de mulheres levarem uma vida sexual e reprodutiva saudável e acelerar o acesso universal à saúde sexual e reprodutiva, incluindo planejamento familiar e maternidade segura. 

Veja aqui alguns números sobre desigualdade entre homens e mulheres apontadas pelo relatório "Situação da População Mundial" de 2017, divulgado em outubro. A igualdade de gênero é um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU.

Até 2025 poderiam ser agregados US$ 28 trilhões ao PIB global anual se a participação das mulheres no mercado de trabalho fosse igualada à dos homens;

Reformas nas leis sucessórias na Índia, onde apenas os homens podiam herdar propriedades anteriormente, resultaram em maior poder econômico para as mulheres, idade de casamento mais avançada, aumento de 11% para 25% nos anos médios de educação para meninas e menores pagamentos de dotes;

Aproximadamente 50% das mulheres, contra 76% dos homens, participavam na força de trabalho global em 2015;

O desemprego afeta mais as mulheres: no mundo, 6,2% delas estão desempregadas, em comparação a 5,5% dos homens. No norte da África e nos Estados Árabes, a taxa de desemprego de mulheres jovens (44%) é quase o dobro da taxa para homens jovens;

Em 2015 houve aproximadamente 14,5 milhões de partos de adolescentes em 156 países, territórios e outras áreas em desenvolvimento. Estima-se que 95% desses partos ocorreram em países em desenvolvimento e nove de cada 10 aconteceram em um casamento ou uma união, revelando o tamanho do problema do casamento infantil no mundo;

Nos países em desenvolvimento, as demandas por planejamento reprodutivo de 12,8 milhões de meninas adolescentes não são atendidas;

Se todas as meninas concluíssem o ensino médio, haveria 64% menos casamentos infantis e 59% menos partos precoces no mundo;

No Brasil, 36% das mulheres se casam antes dos 18 anos. Existe uma correlação direta entre casamento infantil e evasão escolar e, consequentemente, renda menor na vida adulta, além de aumentar o risco de violência doméstica e mortalidade materna e infantil; 

Nos países menos desenvolvidos, 15% das meninas concluem o ensino médio/secundário, em comparação a 20% dos meninos;

Cerca de 60% das mulheres que trabalham no mundo não se beneficiam de qualquer direito à licença maternidade;

Em um grupo de 126 países, as mulheres representam de 20% a 40% de todos os postos de gerência nas empresas;

A disparidade de salário por gênero gira em torno de 23. Ou seja, as mulheres ganham 77% do que os homens recebem;

Da população mundial estimada de 758 milhões de adultos analfabetos, cerca de 479 milhões são mulheres e 279 milhões são homens;

Na maioria dos países as mulheres trabalham menos horas em emprego remunerado do que os homens, arcando com a maior parte da carga do trabalho doméstico e de cuidados, que não são remunerados. Elas realizam em média cerca de 2,5 vezes mais esse trabalho do que os homens. O valor do trabalho não remunerado das mulheres é estimado em US$ 10 trilhões ao ano no mundo todo;

46 das 173 economias analisadas em um relatório do Banco Mundial não tinham qualquer lei contra violência doméstica, enquanto 41 não tinham leis sobre assédio sexual.

Fontes: relatório "Situação da População Mundial" (UNFPA) e estudo "Fechando a Brecha: Melhorando as Leis de Proteção à Mulher Contra a Violência" (Banco Mundial). 

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