Ricardo Moraes / Reuters
Ricardo Moraes / Reuters

Reino Unido planeja exigir que empresas rastreiem desmatamento nos países importadores

Companhias terão de garantir que os alimentos e insumos importados não contribuam com a perda de florestas tropicais

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2020 | 20h01

O Reino Unido planeja instituir uma lei pela qual as empresas do país são obrigadas a rastrear o desmatamento no exterior para garantir que os alimentos e insumos importados não contribuam com a perda de florestas tropicais. É a primeira vez na legislação britânica que as companhias serão responsabilizadas pela origem das commodities, como soja, óleo de palma, carne de vaca e cacau, comprados principalmente de países da América Latina, África e do Sudeste Asiático. A França adotou uma lei semelhante em 2017.

O anúncio acompanha a crescente preocupação dos consumidores quanto aos produtos que adquirem estarem colaborando para o desmatamento da Amazônia e de outras áreas de floresta tropical. Uma pesquisa do YouGov comissionada pelo Greenpeace mostrou que 55% das pessoas no Reino Unido não considerariam comprar carne de empresas que importam o alimento ligado à exploração agrícola em áreas que até recentemente eram cobertas pela floresta tropical amazônica.

As normas que as empresas britânicas teriam de cumprir seriam baseadas nas leis existentes nos países onde as mercadorias são produzidas. Por exemplo: uma empresa importadora do Brasil seria obrigada a assegurar que os produtos que comprasse no País não estivessem associados ao desmatamento ilegal.

O governo britânico propõe que a medida seja introduzida na próxima Lei do Ambiente, que deverá regressar ao Parlamento em Londres no mês que vem. As empresas serão multadas se não cumprirem a obrigação. 

A Tesco, maior rede de supermercado do Reino Unido, apelou por essa lei há algumas semanas e faz parte de um grupo de investidores, empresas de bens de consumo e retalhistas que participaram recentemente na Iniciativa Global de Recursos, um fórum multilateral sobre desmatamento que pediu, entre outras coisas, a criação de uma obrigatoriedade.

A empresa não se abastece de carne de vaca, galinha ou porco do Brasil, mas recusou-se a cortar laços com Moy Park e Tulip, empresas britânicas de produção de carne que são controladas pela JBS. Segundo a companhia, isso poderia levar à perda de milhares de postos de trabalho e prejudicar os agricultores locais.

As empresas que integram o comércio de produtos como soja, carne bovina e óleo de palma esperam que, a partir da lei, o governo as ajude a escapar dos apelos à proibição total ou ao boicote desses produtos e que a contínua escalada de críticas que enfrentam por parte dos consumidores britânicos reduza.

O atual governo brasileiro tem sido criticado por investidores internacionais, empresas e governos, bem como por empresas brasileiras, devido à redução das proteções ambientais e ao aumento das taxas de desmatamento. Em junho, o desmatamento na Amazônia foi o maior em cinco anos, apesar de ação militar e pressão externa. Em maio, supermercados e empresas como Burger King ameaçaram boicotar commodities brasileiras por conta do PL 2.633, de regularização fundiária. 

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