Reino Unido deve pagar pela segurança energética

Partido da oposição alega que abastecimento de energia é prioridade maior que redução das emissões

Com informações da Reuters

09 Fevereiro 2010 | 18h48

O Partido Conservador britânico, atual oposição, que lidera as pesquisas para as eleições deste ano anunciou nesta terça-feira que a segurança do abastecimento é a prioridade da agenda sobre energia, muito acima do alto consumo e das reduções de emissões de carbono. E, segundo o partido, essa segurança inclui depender da Rússia para o abastecimento de gás natural.

 

"Como um ministro da energia em potencial, eu tenho um interesse mais direto: se os preços subirem um pouco, provavelmente não serei demitido; se não chegarmos a nossa meta de carbono, eu não serei demitido, mas se as luzes se apagarem eu serei certamente", disse o candidato a ministro da energia, deputado Charles Hendry, do Partido Conservador.

 

Hendry disse que as medidas para assegurar o abastecimento de gás natural e preencher as faltas de energia incluem estocar mais gás e investir em usinas nucleares, desenvolver técnica de captura e armazenamento de carbono (carvão limpo) e garantir mais fontes renováveis de energia. E fatores importantes para encorajar investimento nesses grandes projetos de energia seriam dar certezas sobre os preços do carbono.

 

"Achamos que a força motora disso será o preço do carbono", disse."Então, o que estamos mirando - e daremos mais detalhes sobre isso no devido tempo - é de expandir o imposto sobre mudanças climáticas, uma taxa sobre as empresas e não uma taxa sobre o carbono, para tornar-se mais diretamente ligada com o custo do carbono."

 

Rússia

Outro aspecto de melhorar a segurança energética britânica seria depender da Rússia para o fornecimento de gás por meio de novos gasodutos europeus. "Não quero enveredar pelo caminho de dizer que a Rússia não é um país exportador confiável", disse Hendry. "Falei com o ministro alemão e ele disse que a Alemanha importa gás da Rússia há 40 anos, inclusive durante a Guerra Fria,e  nunca houve uma quebra de contrato."

 

O Partido Conservador espera que as eleições ucranianas, vencidas pelo candidato pró-Rússia Viktor Yanukovich, reduzam as rupturas no abastecimento de gás, além do desenvolvimento de novos gasodutos que levem o gás diretamente à Europa. As relações tempestuosas entre Rússia e Ucrânia, um país de transição para a passagem das exportações de gás para a Europa, já interrompeu algumas vezes o gás, causando falhas de energia.

 

"Esperamos que o resultados das eleições ucranianas signifique que algumas pressões políticas serão reduzidas, mas a construção dos canais de South Stream, Nord Stream e Nabucco está encontrando outros caminhos para trazer o gás ao mercado", disse Hendry.

 

A Nord Stream quer trazer o gás russo pelo Mar Báltico e a South Stream passará pelo Mar Negro para o sul da Europa, enquanto que Nabucco trará o gás pelo Mar Cáspio do leste europeu para a Europa central.

 

A credibilidade da Rússia como fornecedora de gás foi questionada depois que, em janeiro do ano passado, problemas de pagamento com a Ucrânia resultaram no desligamento doa abastecimento de gás da Europa.

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