Reforma no Parque da Água Branca é vistoriada

Ministério Público quer saber se obra está dentro da lei; visitantes temem perder nascentes de água

Tiago Dantas, Jornal da Tarde

14 Setembro 2010 | 11h58

A reforma do Parque da Água Branca, na Barra Funda, zona oeste da capital, será vistoriada hoje de manhã por um perito ambiental e pelo promotor do Meio Ambiente Washington Luís de Assis. Após a visita, Assis decidirá se vai abrir um inquérito civil para apurar possíveis danos cometidos contra a vegetação ou o patrimônio tombado da área verde.

 

Frequentadores do local reclamam que árvores foram derrubadas sem necessidade, animais sumiram e que construções estão sendo feitas ao lado de nascentes. O grupo entregou ao Ministério Público (MP), ontem, um documento com 1.704 assinaturas de pessoas que questionam a forma como as obras estão sendo feitas.

 

“Não somos contra a reforma. Acho que restaurar os prédios antigos é ótimo”, afirma a advogada Cláudia Lukianchuki de Lacerda, uma das três frequentadoras do parque que estiveram ontem na Promotoria do Meio Ambiente. “Só queremos saber se foi feito um estudo de impacto ambiental dessas reformas todas.”

 

O diretor do parque, José Antônio Teixeira, confirmou que o estudo não foi feito. “Não são obras que provocam impacto no meio ambiente. Não estamos ampliando nada, nem colocando concreto. É uma reforma necessária”,disse. O estudo não é necessário para este tipo de intervenção, segundo o promotor Assis.

 

Também visitantes do Parque da Água Branca, Jupira Aparecida Cauhy e Regina Lima reivindicaram que o espaço, administrado pela Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento e pelo Fundo Social de Solidariedade, seja aberto à participação popular. “Poderíamos criar uma unidade administrativa”, opinou Regina.

 

Teixeira alega que o projeto de reforma foi apresentado para vizinhos e frequentadores. “Existe um conselho consultivo, do qual as entidades que trabalham no parque fazem parte. Eles conhecem o projeto”, relatou o diretor.

 

“Desde fevereiro estamos pedindo, por meio de ofícios, os laudos técnicos que embasam essa obra”, rebateu Cândida Meirelles, coordenadora da Associação de Ambientalistas e Amigos do Parque da Água Branca (Assamapab), uma das entidades que formam o conselho consultivo.

 

O promotor Assis avalia a possibilidade de chamar a direção do parque para assinar um termo de ajustamento de conduta (TAC). Se não houver acordo, pode pedir a suspensão da obra. Teixeira se comprometeu a não destruir as nascentes e a não aumentar a área impermeável do parque.

 

Pontos de discórdia

 

Nascentes

 

Moradores temem que a reforma do parque acabe com duas nascentes e dezenas de olhos d’água. A direção do parque diz que a obra não afetará as nascentes e que irá plantar vegetação nativa.

 

Animais

 

Frequentadores reclamam que alguns animais sumiram. O parque diz que alguns bichos, como cerca de dez galos,foram levados para o Instituto de Zootecnia, em Nova Odessa.

 

Árvores

 

As obras destruíram parte da vegetaçãos em necessidade, segundo visitantes do parque. A direção afirma que derrubou 30 árvores secas.

 

Funcionamento

 

Vizinhos do parque acreditam que a iluminação artificial que permitirá ao local fechar às 22h (hoje fecha às 18h) pode prejudicar os animais que dormem à noite. O parque alega que utilizará luz branca para diminuir o impacto e que aumentará a segurança.

 

Trilha do pau-brasil

 

A abertura de trilha em uma área que hoje é fechada ao público é questionada por visitantes. A direção diz que o objetivo é incentivar o turismo ecológico e mostrar o pau-brasil do parque.

 

 

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