Reduzir o desmatamento pode render bilhões, diz estudo

A redução do desmatamento em lugares comoa Amazônia e a bacia do Congo poderia gerar bilhões de dólarespor ano para os países em desenvolvimento, como parte de umesquema da ONU para combater a mudança climática, segundoestudo divulgado na segunda-feira. As queimadas nas matas representam cerca de 20 por centodas emissões mundiais de gases do efeito estufa. Em dezembro,uma conferência de 190 países em Bali (Indonésia) decidiu pelacriação de um sistema que recompense países que reduzam odesmatamento. "Mesmo com premissas bastante conservadoras pode-se gerarquantidades substanciais de dinheiro e reduções de emissões",disse Johannes Ebeling, da empresa britânica EcoSecurities,autor do estudo em parceira com Mai Yasue, da Universidade deBritish Columbia (Canadá). De acordo com eles, um declínio de 10 por cento no ritmo dedevastação das florestas tropicais geraria de 1,5 bikhão a 9,1bilhões de euros (2,4 bilhões a 14,3 bilhões de dólares) emcréditos de carbono para os países em desenvolvimento,baseando-se num valor de 5 a 30 euros por tonelada de carbono. Essas restrições evitariam que cerca de 300 milhões detoneladas de dióxido de carbono chegassem à atmosfera por ano.Isso é aproximadamente o total de emissões da Turquia, oumetade das emissões da França. A ONU espera que o combate ao desmatamento faça parte donovo tratado climático que deve entrar em vigor em 2012. Ebeling disse à Reuters que eventuais créditos pelonão-desmatamento deveriam ser compensados por regras rígidas emoutras áreas --por exemplo, obrigando usinas termoelétricas efábricas de cimento a pagarem uma taxa pelo direito de emitirdióxido de carbono. O estudo, publicado na revista britânica PhilosophicalTransactions, da Real Sociedade B, citou enormes desafios naconstrução de um sistema justo. Até agora, o grande foco do debate da ONU está emrecompensar o sucesso de países com taxas elevadas dedesmatamento -- como Brasil e Equador. Mas países como Guiana e Suriname, que mantiveram umagrande cobertura florestal, ou então como Costa Rica e Chile,que reduziram ou mesmo reverteram o desmatamento, podem ganharpouco. Também há problemas na avaliação das taxas de desmatamentoou na criação de controles para que a proteção de uma florestanão leve à devastação de outra. E alguns países pobres que poderiam se beneficiar --comoLibéria ou Mianmar-- talvez simplesmente não tenham oscontroles necessários para regulamentar o uso das terras. Mesmo assim, Ebeling se disse otimista com o surgimento deum novo sistema, devido à disposição internacional em incluir aquestão do desmatamento como parte do tratado que sucederá aoProtocolo de Kyoto, que expira em 2012.

ALISTER DOYLE, REUTERS

07 de abril de 2008 | 12h32

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