Recursos para água e saneamento diminuíram na última década

Ajuda internacional com relação às duas necessidades caiu de 8% para 5%, relatam OMS e Unicef

EFE

22 Abril 2010 | 11h43

A ajuda dirigida para desenvolver e proporcionar água e saneamento para 2,6 bilhões de pessoas que necessitam desses recursos diminuiu na última década, segundo dados divulgados nesta quinta-feira pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas pela Infância (Unicef).

 

Em 2008, 2,6 bilhões de pessoas no mundo todo viviam sem acesso a saneamento básico adequado e 900 milhões careciam de fontes de água potável, como indicam os dados. Os compromissos internacionais com relação a água e saneamento caíram de 8% a 5%, de acordo com a OMS e o Unicef.

 "Por que se mantém esta situação tão insatisfatória quando os problemas associados à falta de saneamento e água potável são conhecidos há tempo, e as soluções parecem estar ao alcance das mãos?", questionou a diretora de Saúde Pública e Meio Ambiente da OMS, Maria Neira.

 

Outro dado preocupante revelado pelom estudo é que o gasto médio por governo para essas duas necessidades básicas é de somente 0,48% do PIB, e apenas se cumpriram 42% dos compromissos de ajuda a países em desenvolvimento nesta área.

 

A ONU considera que a situação é particularmente grave em relação ao saneamento básico, uma vez que menos da metade da população rural mundial e somente três quartos dos habitantes das cidades têm acesso a instalações adequadas.

 

"Sem investir no acesso à água e ao saneamento, os países vão perder a batalha contra a pobreza", afirmou Neira, dizendo que um melhor acesso ao saneamento e à água potável produz benefícios que ficam entre US$ 3 e US$ 34 por cada dólar investido, o que poderia elevar o PIB de um país entre 2% e 7%.

 

Neira disse que será quase improvável cumprir o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio referente a saneamento, fazendo referência às metas estabelecidas pela ONU para melhora dos índices socioeconômicos da população mundial antes de 2015.

 

Mas o impacto pode ser maior, porque a falta de saneamento e água potável influencia negativamente na saúde humana. Para os responsáveis pela divulgação dos dados, não surpreende que a diarreia - causada em grande parte pela água não potável, pelo saneamento inadequado e pela higiene insuficiente - seja a segunda doença mais comum do mundo, à frente de doenças cardíacas e a Aids.

 

"A falta de água, saneamento e higiena tira as vidas de cerca de 2,2 milhões de crianças menores de cinco anos a cada ano e se calcula que 1,5 milhão delas morrem em decorrência da diarreia", disse Neira. Para os menores de 15 anos, a diarreia pode aparecer combinada com a Aids, a malária ou a tuberculose.

 

O objetivo da divulgação dos dados sobre água e saneamento é "chamar os países doadores para que enfoquem e reorientem" suas ajudas para esses dois objetivos, de acordo com Neira. "O benefício é óbvio, pois com um melhor acesso haveria menos diarreia, e então menos probabilidade de desnutrição e de outras doenças parasitárias."

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