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Recuperação da camada de ozônio levará mais tempo que o previsto

O buraco que se forma sobre a Antártida só deve retornar aos valores normais no fim deste século

STEPHANIE NEBEHAY, REUTERS

16 de setembro de 2010 | 12h13

A camada de ozônio que protege a vida contra os raios solares prejudiciais deve recuperar-se até meados deste século da ação de substâncias químicas nocivas, mas sua recuperação nas regiões polares levará mais tempo, diz um estudo das Nações Unidas divulgado nesta quinta-feira, 16.

A redução do ozônio -- à qual é atribuída a intensificação da radiação ultravioleta que chega à superfície terrestre e provoca câncer de pele e cataratas, além de prejudicar a agricultura -- vai continuar por décadas, já que várias substâncias prejudiciais permanecem na atmosfera por muito tempo depois de suas emissões terem cessado.

Embora muitos agentes de resfriamento e outros compostos prejudiciais ao ozônio não sejam mais produzidos ou emitidos, alguns de seus substitutos industriais são gases-estufa que contribuem muito mais para o aquecimento global, diz o estudo.

O buraco de ozônio que se forma sobre a Antártida na primavera de cada ano só deve retornar aos valores de referência anteriores a 1980 no final deste século, diz o estudo.

 

Quando o buraco está grande, são relatados altos níveis de raios ultravioleta.

Mas o buraco atual na camada de ozônio sobre a Antártida está menor do que nos últimos dois anos, segundo Geir Braathen, cientista sênior da Organização Meteorológica Mundial (OMM), falando à imprensa.

Embora os clorofluorcarbonos (CFCs) empregados no passado em geladeiras, latas de spray e outros produtos não sejam mais produzidos, a demanda por produtos substitutos, como hidroclorofluorcarbonos (HCFCs) e hidrofluorcarbonos (HFCs) vem subindo, de acordo com o estudo da OMM e do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Muitos desses também são poderosos gases do efeito estufa, aos quais são atribuídas as mudanças climáticas que provocam fenômenos meteorológicos extremos como secas, incêndios florestais, ondas de calor, enchentes, avalanches de lama e a alta dos níveis do mar.

O relatório assinado por 300 cientistas atribuiu ao Protocolo de Montreal o fato de a perda de ozônio ter sido suspensa e de o efeito estufa ter sido mitigado. O protocolo foi firmado por cerca de 200 países em 1987.

Graças aos controles rígidos aplicados, o pacto evitou a emissão do equivalente a dez gigatoneladas anuais de dióxido de carbono. Isso foi cinco vezes mais que as metas de redução dos gases estufa para 2008-2012 fixadas pelo Protocolo de Kyoto.

As emissões anuais atuais de CO2 decorrentes da queima de combustíveis fósseis e da produção de cimento representam 30 gigatoneladas, disse Braathen.

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