Recorde de matança de baleias-piloto nas ilhas Faroe

Barcos arrebanham os animais para uma baía e os encurralam; abate é feito com facas

Karina Ninni, estadao.com.br

02 Dezembro 2010 | 20h03

Este ano, os habitantes das ilhas Faroe, na Dinamarca, mataram 1.115 baleias-piloto. É o maior registro de matança desde 1996. A média anual nos últimos 10 anos tem sido de 627 animais.

 

 

A caça às baleias-piloto é uma tradição local. "É uma coisa milenar, um rito de passagem viking. Antigamente, as baleias eram importantes fontes de proteínas para os habitantes locais. Mas, hoje, isso não faz mais sentido", afirma Ingrid Eder, gerente de campanha da Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA) no Brasil. A instituição é uma das muitas que tentam, há anos, sensibilizar o governo 

 

 

Aliás, estudos feitos nas próprias ilhas Faroe indicam que o consumo da carne da baleia-piloto não é recomendado. Em agosto de 2008, o Dr. Pál Weihe, chefe do Departamento de Saúde Pública e Ocupacional da Ilhas Faroe e o médico chefe local, Dr. Høgni Debes Joensen, publicaram um comunicado recomendando que a baleia-piloto não seja destinada ao consumo humano por apresentar altos teores de mercúrio e outras toxinas.

 

A diretora da Agência de Investigação Ambiental da Dinamarca (EIA), Jennifer Lonsdale, afirmou que "a caça às baleias-piloto em 2010 já produziu 550 toneladas de carne e de gordura para 49 mil habitantes locais - o equivalente a 11 kg para cada indivíduo, incluindo os bebês - quase 1kg por mês por pessoa".

 

Cruel

 

As baleias não são arpoadas ou sedadas. Barcos de porte médio arrebanham os animais para uma baía e os encurralam. Depois, eles são golpeados com uma faca longa e afiada, introduzida na altura da vértebra cervical, com o objetivo de atingir a medula.

 

"Os animais acabam morrendo por perda de sangue", relata Ingrid.

 

Ela afirma que a matança acontece prioritariamente nos meses de verão e que é um evento comunitário. "A população das ilhas é totalmente a favor, o que dificulta qualquer tentativa de fazer com que a matança pare. A WSPA falou com o governo local. A pressão mundial não consegue sensibilzar os habitantes", diz Ingrid.

 

Para o biólogo e pesquisador do Instituto Baleia Jubarte, Sérgio Cipolotti, a situação é piorada pelo fato de serem animais pouco estudados.

 

"As grandes baleias acabaram sendo protegidas de alguma forma por conta dos estudos feitos sobre elas. As piloto, que são animais pequenos, são pouco estudadas. Isso traz um prejuízo para a espécie: não se sabe se corre perigo de extinção, não se cria regulamentação específica para o animal", diz ele.

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