Recessão deixa emissões estáveis

Países industrializados reduziram emissões em 2009, mas nações em desenvolvimento emitiram mais; o resultado foi a estabilidade

The Guardian

01 Julho 2010 | 21h30

As emissões de gases estufa pelos países ricos cairam 7% em 2009 por causa da recessão, um número recorde. No entanto, a diminuição foi inteiramente anulada por aumentos acentuados das emergentes China e Índia. Os dados são da Netherlands Environmental Assessement Agency (NEAA), um dos grupos líderes em pesquisa científica da Europa.

Em termos gerais, isso quer dizer que as emissões permaneceram estáveis pela primeira vez desde 1992. O grupo de pesquisa baseou-se em dados de uso de energia do governo dos Estados Unidos, da União Europeia, da British Petroleum e da indústria do cimento, entre outros.

 

A agência, que em 2007 foi a primeira a identificar que a China havia tomado o posto dos Estados Unidos como o maior gerador de gases estufa do mundo, salienta que os dados não significam que os países ricos tenham sido "absolvidos" de sua responsabilidade histórica.

 

"Grande parte da capacidade de produção foi suspensa, mas isso pode ser retomado conforme a economia se for se recuperando. É provável que a recuperação da economia cause alta nas emissões dos países industrializados. No entanto, a recessão econômica mostrou que estes países podem alcançar suas metas de redução mais facilmente", disse a porta-voz da NEAA Anneke Oosterhuis.

 

"Outra consequência desta recessão é que alguns países industrializados podem precisar negociar menos permissões de emissão dos projetos de redução realizados em países em desenvolvimento, o que quer dizer que vai haver menos dinheiro disponível para reduções de emissão nestes últimos", disse Oosterhuis.

 

A notícia da redução é um alívio para os países ricos que estão legalmente comprometidos em reduzir emissões em 5,2% até 2012, com relação aos números de 1990. No momento, diz a NEAA, eles estão 10% abaixo dos níveis de 1990, muito aquém da meta estipulada pelo Protocolo de Kyoto.

 

A pesquisa também mostra que as médias de emissões de CO2 por habitante da China e da Índia ainda estão bem abaixo das observadas nos países industrializados. As emissões são atualmente da ordem de 1,4 tonelada por pessoa na Índia e de seis toneladas na China, ao passo que chegam a dez toneladas na Holanda e a 17 nos Estados Unidos.

 

O crescimento de emissões em 9% na China ocorreu mesmo com a duplicação de sua capacidade de energia eólica e solar pelo quinto ano seguido.

 

O estudo destaca o rápido crescimento das emissões globais nos últimos 40 anos. Hoje elas estão 25% mais altas do que no ano 2000, quase 40% mais altas do que em 1990 e o dobraram com relação aos valores da década de 70. O grande crescimento nas emissões chinesas e indianas é relativamente recente. A China duplicou suas emissões nos últimos nove anos e as da Índia cresceram 50% no mesmo período.

 

Mas a recessão não afetou todos os países industrializados de maneira uniforme. A Rússia e o Japão reduziram seu uso de energia ao máximo, mas os Estados Unidos - que é de longe o país que mais utiliza energia no mundo - reduziu suas emissões em algo em torno de 500 milhões de toneladas em 2009. Alguns outros países em desenvolvimento mudarampouco em 2009. As emissões aumentaram no Irã, na Indonésia, no Brasil, na Arábia Saudita, na África do Sul e em Taiwan.

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