Quase 100 líderes já confirmaram presença em Copenhague

A maioria dos líderes mundiais deve comparecer à cúpula climática da ONU em dezembro, o que aumenta a chance de um acordo contra o aquecimento global, disse a Dinamarca, anfitriã do evento, nesta terça-feira.

JOHN ACHER E JAMES GRUBEL, REUTERS

01 Dezembro 2009 | 16h48

O número de líderes que confirmaram a presença na cúpula chegou a 98 de um total de 192 convites enviados no mês passado. Na primeira contagem, havia 65 presenças anunciadas. A Dinamarca não divulgou uma lista com os nomes.

"Isso me dá a forte sensação de que estamos no caminho certo", disse o primeiro-ministro dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, em entrevista coletiva.

Há meses as discussões esbarram em divisões entre países ricos e pobres sobre a redução que os países desenvolvidos devem promover nas suas emissões de gases-estufa, e sobre a verba que eles devem destinar para ajudar os países em desenvolvimento a reduzir suas emissões e mitigar os efeitos do aquecimento.

O objetivo inicial da conferência, que acontece entre 7 e 18 de dezembro, é definir um novo tratado climático para substituir o Protocolo de Kyoto depois de 2012. Mas as discordâncias levaram a Dinamarca a propor que o encontro resulte em um acordo político que abra caminho para um tratado de cumprimento obrigatório em 2010.

Os dois países com maiores emissões de gases-estufa - Estados Unidos e China - enviarão seus governantes a Copenhague. Barack Obama participará do evento em 9 de dezembro, na véspera de receber o Nobel da Paz em Oslo.

Salientando o longo caminho ainda a percorrer, a Índia rejeitou na segunda-feira uma proposta dinamarquesa que sugeria como meta a redução de 50 por cento das emissões globais de gases-estufa até 2050, em comparação aos níveis de 1990.

China, Índia e outros países em desenvolvimento querem um corte de 40 por cento nas emissões dos países ricos até 2020, também em relação a 1990. Só então os países em desenvolvimento começariam a ser obrigados a abandonar as emissões causadas por combustíveis fósseis.

Rasmussen disse que a proposta dinamarquesa ainda não foi formalizada.

AUSTRÁLIA

Uma proposta do governo australiano para criar um mecanismo de créditos de carbono deve ser derrotada no Senado daquele país, já que a oposição elegeu um novo líder hostil à ideia, que representaria a maior mudança de política econômica na história moderna do país.

O ministro-assistente de Mudança Climática australiano, Greg Combet, disse que o governo vai insistir em levar a questão a votação nesta semana, mesmo que a vitória do "não" possa desencadear eleições antecipadas em 2010.

"Vai ser uma briga dura. Mas será uma briga. Não se pode ganhar uma eleição sem uma briga", disse o novo líder oposicionista Tony Abbott, ex-pugilista e ex-seminarista.

Pela proposta do governo, a partir de 2011 seria possível comercializar créditos equivalentes a 75 por cento das emissões do país. A Austrália tem a maior emissão per capita entre os países desenvolvidos. O sistema australiano de créditos de carbono seria o maior fora da Europa.

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