Divulgação/Onu
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Quanto mais floresta, maior será a capacidade de Belo Monte, diz estudo

Caso a perda da vegetação atinja 40% do bioma, em 2050, a produção de energia pode cair a 25% da capacidade

Giovana Girardi, O Estado de S. Paulo

14 Maio 2013 | 00h06

Conservar a floresta amazônica pode ser bom não só para o meio ambiente como para a produção de energia. Quanto mais mata, maior será o potencial de usinas hidroelétricas localizadas na região. Essa é a conclusão de um estudo publicado nesta segunda-feira (13) por pesquisadores brasileiros na revista americana PNAS.

O trabalho focou na usina de Belo Monte e considerou a influência  que a floresta tem na produção de chuva e como o desmatamento pode reduzi-la. Nos níveis atuais de perda da mata – mesmo levando em conta que a devastação vem desacelerando nos últimos anos – o volume de chuva é entre 6 e 7% menor do que com a cobertura florestal completa.

Já num pior cenário, em que a perda da vegetação volte a crescer e atinja 40% do bioma, em 2050, o volume de chuva reduziria de 11 a 15%, fazendo com que a capacidade de produção de energia da hidrelétrica caia a 25% da capacidade máxima da planta ou a 40% das próprias projeções da usina.

Por outro lado, se houvesse uma recuperação de tudo o que já foi desmatado na Amazônia, a produção de Belo Monte chegaria a sua capacidade máxima instalada, de 11,2 mil megawatts. Belo Monte foi projetada para ser a terceira maior usina do mundo e suprir 40% do crescimento do Brasil em produção de eletricidade até 2019.

“Esse estudo mostra que a conservação tem outros benefícios que vão além da proteção ao ambiente, à biodiversidade. Ela leva a benefícios econômicos palpáveis”, afirma Marcos Costa, pesquisador da Universidade Federal de Viçosa e um dos autores do trabalho.

“O Brasil tem feito um tremendo progresso em reduzir o desmatamento nos últimos anos, mas esses números estão começando a subir novamente e todo mundo deveria estar preocupado com isso. Acabar com o desmatamento deveria ser visto como uma questão de segurança energética nacional”, afirma Daniel Nepstad, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), outro autor do trabalho.

ATUALIZADA ÀS 9H48

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