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'Quanto mais a criança brincar na escola, melhor'

A educadora Maria Helena da Costa defende uma educação infantil muito lúdica e com muito estímulo cognitivo, motor e social

Juliana Tiraboschi, Especial para o Estado

13 Outubro 2017 | 16h00

“Educação de Qualidade” é um dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU e o tema da cobertura especial do Estado durante esta semana. Em entrevista à TV Estadão, a educadora Maria Helena da Costa, do Colégio Vértice, falou sobre a importância da educação infantil na vida das crianças.

Para Maria Helena, o momento ideal de uma criança começar a frequentar a escola é o quando ele se encaixa nas necessidades da família. “Se você tiver um espaço acolhedor, estimulador, cuidadoso e afetuoso, tudo bem a criança ficar em casa até dois ou três anos”, diz. Segundo a educadora, a partir de dois anos é interessante começar a pensar em uma escola. “Quando os pequenos começam a se tratar por ‘eu’ é uma boa idade para começar a pensar na socialização”, afirma. “E com três anos já acho importante estar na escola”, diz. 

A escolha da escola

Segundo a educadora, a primeira coisa que os pais devem prestar atenção ao entrar em uma escola é perceber se sentem-se acolhidos. “Vai muito do ‘feeling’”, diz. 

Outra dica é observar o espaço físico. Criança precisa de espaço para se movimentar, explorar e ser estimulada, de maneira segura. Importante perceber se não há risco de quedas ou escorregões, por exemplo. 

Observe se os ambientes são estimulantes. Veja se os alunos têm acesso a material não estruturado, ou seja, aquele que não vem pronto, como sucata. Perceba se a há desafios motores nos espaços e se eles convidam à exploração. Visite a escola em funcionamento para ver os alunos em ação e se as salas expõe os trabalhos, tornando a criança protagonista do processo. 

Também é fundamental avaliar se os princípios e valores da escola são condizentes com os da família. “Conheça a filosofia e a proposta pedagógica da instituição, saiba que tipo de pessoa a ela pretende formar”, afirma Maria Helena. 

Alfabetização

Segundo Maria Helena da Costa, a alfabetização é um processo, não acontece em um ano só. A criança pode e deve começa a ser estimulada nesse sentido desde a entrada na escola. “Vivemos em mundo letrado e criança tem curiosidade natural”, diz. Existe uma série de etapas que devem acontecer desde que a criança ingressa na escola, o que não deve ser confundido com alfabetizar o aluno precocemente. “Uma criança de quaro anos não precisa ler e escrever, mas já deve ter curiosidade sobre as letras, nomes e palavras”, afirma a educadora. Aos seis anos, se o processo tiver sido bem constituído, ela já começa a ter condições de ter um aprendizado de leitura e escrita mais formalizado.

De acordo com Maria Helena, é importante perguntar na escola como a estimulação de linguagem é feita e se há exercícios de oralidade, se a criança é estimulada a falar frases completas e se fazer entender. “Isso é super importante para que, lá na frente, a pessoa não se torne um analfabeto funcional e para que ela desenvolva boa interpretação de texto e boa escrita”, diz. 

Desenvolvimento

Também é importante que a escola ofereça muito tempo de brincadeira para as crianças. “Elas têm o direito e precisam brincar. Quanto mais, melhor”, diz Maria Helena. Segundo a educadora, alguns pais reclamam que pagam escola para o filho “ficar brincando”, como se essa fosse uma atividade menor. “Pode pagar para brincar sim, porque é um investimento fantástico”, afirma. “Mas estou falando de um brincar estruturado, não é largar as crianças no pátio”. O que não dá, de acordo com Maria Helena, é fazer o aluno da educação infantil passar horas sentado, fazendo lição. 

Para a educadora, quanto mais as habilidades das crianças forem estimuladas, mais janelas cognitivas serão abertas e melhores alunos elas serão no futuro. “A socialização sempre foi prioridade na educação infantil, e isso foi ampliado recentemente”, diz. A criança vai para a escola para interagir e desenvolver habilidades socioemocionais, conviver com o outro, resolver problemas e ser instigado a aprender. “É por isso que, hoje, a educação infantil é considerada uma etapa básica”, afirma. 

E é por isso que a educação infantil precisa de mais investimentos do poder público. “Gostaríamos que fosse imensamente melhor. A escola pública tem problemas de estrutura, formação do professor e currículo”, diz. Segundo Maria Helena, a cada mudança de governo há uma mudança na estrutura da escola. “O sistema tem que sobreviver independentemente do governo, mas ficamos à mercê das políticas”, diz. 

Veja a entrevista completa de Maria Helena da Costa.

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