Putin visita região ártica para avaliar danos da onda de calor

O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, atravessou o Círculo Polar Ártico nesta segunda-feira numa viagem para examinar evidências de mudanças climáticas, após uma onda de calor recorde ter atingido a região central da Rússia neste verão.

DARYA KORSUNSKAYA, REUTERS

23 de agosto de 2010 | 15h21

Putin, que no passado se mostrou despreocupado com o aquecimento global, brincando que os russos teriam de comprar menos casacos de pele, foi até uma estação de pesquisa científica na ilha de Samoilovsky, no delta do rio Lena, na Sibéria.

"O clima está mudando. Este ano compreendemos isto quando enfrentamos acontecimentos que resultaram em incêndios", disse Putin a climatologistas que trabalham na estação, aberta em 1998 para estudar o derretimento do 'permafrost' (subsolo constantemente congelado) da Sibéria.

A onda de calor de dois meses de duração, a pior já registrada pela Rússia, matou 54 pessoas em incêndios florestais, destruiu um quarto da plantação de grãos e tirou ao menos 14 bilhões de dólares da economia.

Putin buscou na época reforçar sua imagem de homem de ação, voando em aviões dos bombeiros e conversando com as vítimas dos incêndios. Na Sibéria, ele ficou claramente impressionado com a extensão do desastre natural, comparando-o ao ataque da Alemanha nazista à União Soviética.

Embora os especialistas afirmem que seja impossível relacionar os acontecimentos individuais do tempo à mudança climática, a onda de calor deu indícios de mudanças na percepção sobre os riscos do aquecimento global nas nações do norte, como Rússia, Canadá e os países nórdicos.

Putin disse aos cientistas na tundra de que ele ainda esperava por uma resposta para saber se a mudança climática global era resultado da atividade humana ou era "a Terra vivendo a própria vida e respirando."

Ele argumentou que o fim da Era do Gelo, que forçou os mamutes a buscarem refúgio na ilha de Samoilovsky e em outras ilhas do Ártico dez mil anos atrás, não foi uma falha da humanidade e pediu conselhos sobre como lidar com a questão da mudança climática.

"Para quais ilhas fugiremos?", questionou.

Cientistas atribuem o aquecimento global às emissões de gases do efeito estufa provenientes da queima de combustíveis fósseis. Interessado em manter a posição da Rússia como um dos principais exportadores de petróleo e gás, Putin fala pouco sobre fontes de energia alternativas.

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