Prospecção de petróleo ameaça biodiversidade na Amazônia

Estudo afirma que exploração pode afetar futuro de animais e povos indígenas na Colômbia, Peru e Brasil

Efe

13 Agosto 2008 | 02h23

Os projetos de prospecção petrolífera e de gás natural na região oeste da Bacia Amazônica se transformaram em uma ameaça para a biodiversidade e os povos indígenas da região, assegurou hoje um estudo publicado na internet pela revista "PLoS ONE". Segundo a pesquisa, muito em breve essa zona, onde se encontram a maior biodiversidade e as selvas mais extensas do planeta, poderia estar coberta por plataformas petrolíferas e gasodutos. O estudo, realizado por duas organizações americanas sem fins lucrativos e por cientistas da Universidade de Duke (Carolina do Norte), assinala que já há 180 blocos de prospecção petrolífera e de gás na região.Esses blocos cobrem uma superfície de 688 mil quilômetros em territórios de Brasil, Colômbia, Equador e Peru.Em uma pesquisa que durou três anos, os cientistas determinaram as atividades petrolíferas na região, e seu resultado é "uma alarmante avaliação das ameaças à biodiversidade e aos povos da região", assinala o relatório."Descobrimos que os blocos de gás e petróleo se sobrepõem perfeitamente com as zonas de maior biodiversidade para aves, mamíferos e anfíbios do Amazonas", segundo Clinton Jenkins, cientista da Universidade de Duke.Ele acrescentou que "a ameaça para os anfíbios é de especial preocupação, pois já constituem o grupo de vertebrados mais ameaçado (pela extinção) no mundo todo".O estudo manifesta que nem sequer os parques nacionais se salvam da prospecção de hidrocarbonetos, que se concentrou nas partes menos afetadas do Amazonas. Entre esses parques o relatório menciona o Parque Nacional Yasuní, no Equador, e o Parque Nacional Madidi, na Bolívia. Segundo Matt Finer, do grupo ecologista americano Save America's Forests, a situação "mais dinâmica" se desenvolve na região amazônica peruana.Ali, 64 blocos de petróleo e gás natural cobrem aproximadamente 72% da região, que é de cerca de 490 mil quilômetros quadrados. O estudo também indica que muitos dos blocos de prospecção de hidrocarbonetos ameaçam os territórios de povos indígenas que vivem totalmente isolados da civilização e são suscetíveis a doenças externas. Segundo os cientistas, o grande perigo para a pureza do Amazonas é representado pelos novos caminhos de acesso que envolvem a prospecção petrolífera.Essa nova estrutura viária acelera o desmatamento, a colonização, a caça excessiva e a poda ilegal em zonas que até há pouco eram muito remotas. "A eliminação de novos caminhos de acesso petroleiro poderia reduzir de maneira significativa o impacto da maioria dos projetos", assinala Finer. Brian Keane, do grupo Land is Life, afirma que o desenvolvimento petroleiro no Amazonas ocidental é "uma flagrante violação dos direitos dos povos indígenas na região".Acrescenta que os acordos internacionais reconhecem que os povos indígenas têm direitos sobre suas terras, e "explicitamente proíbem entregar concessões para a exploração de recursos naturais em seus territórios sem seu consentimento "."Encher o tanque de gasolina em breve poderá ter conseqüências devastadoras para as selvas, seus povos e suas espécies", assinala Stuart Pimm, cientista da Universidade de Duke.

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