Proprietária da plataforma acusa BP de reter informações

A Transocean diz que não recebe dados desde junho e que a BP já recusou sete pedidos de informações técnicas

AP

19 de agosto de 2010 | 21h13

A companhia proprietária da plataforma petrolífera que explodiu no Golfo do México está acusando a BP de reter evidências necessásias para investigar a causa do pior vazamento de exploração petrolífera offshore

da história doa EUA, de acordo com um documento confidencial obtido pela Associated Press.

A nova reclamação da empresa Transocean segue-se a queixas similares dos legisladores americanossobre dificuldades para obter a informação necessária da BP em suas investigações.

 

Em uma carta severa escrita para os advogados da BP, a Transocean afirmou que a gigante do petróleo  tem em suas mãos informações cruciais para identificar a causa "da trágica perda de onze vidas e a poluição do golfo do México".

A recusa da BP em entregar os documentos obstruiu as investigações da Transocean e dificultou o comunicado imediato da tragédia às famílias dos trabalhadores mortos, além de obstruir as investigações federais sobre o acidente, afirma a carta.

   

Parece provável que a BP e a Transocean se enfrentem na Justiça para que se decida o quanto cada uma delas terá de pagar pelo acidente. A Transocean era proprietária da plataforma Deepwater Horizon, que explodiu e afundou matando 11 trabalhadores e desencadeando o vazamento de milhões de litros de petróleo. A BP era a operadora e a sócia majoritária do empreendimento.

A porta-voz da BP, Elizabeth Ashford, disse que as acusações da Transocean eram mal formuladas e enganosas. "Tomamos a frente cooperando com várias investigações instituídas pelo governo dos EUA, e outras, sobre as causas da tragédia da plataforma", disse ela. "Nosso compromisso para cooperar com essas investigações permanece inequívoco e inabalável".

Os assessores de alguns legisladores disseram à AP nesta quinta que eles também tiveram problemas em obter informações da BP. Bill Wicker, porta-voz do presidente do Comitê do Senado Americano para Energia e Recursos Naturais, Jeff Bingaman, disse que houve uma "queda de braço" entre o Comitê e a BP acerca de alguns dados que as autoridades estavam procurando. A BP requisitou que os membros do Congresso assinassem um acordo de sigilo. O Comitê se recusou, dizendo à BP que devolveria todos os documentos à empresa. Desde então, a BP está retardando a entrega de dados, revelou Wicker.

Edward Markey, democrata e presidente do subcomitê de energia e meio ambiente do Senado disse que sua equipe também teve dificuldades em levantar informações junto à BP.

"Eu não estou surpreso que a Transocean - que provavelmente terminará em litígio com a BP no futuro -esteja encontrando a mesma dificuldade", disse ele.

   

O presidente Barack Obama avisou meses atrás que as companhias envolvidas no acidente precisariam trabalhar em conjunto e também com o governo na investigação, afirmando que "não iria tolerar mais acusações mútuas ou irresponsabilidade".

     

De acordo com a Transocean, a BP recusou ao menos sete pedidos de informação enviados pela empresa, que desde junho não recebe nenhum dado da petrolífera.

A Transocean quer 16 relatórios técnicos da BP, incluindo os testes de pressão, diários de bordo e outros dados.

   

   

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