Tania Valeria Gomes/AE
Tania Valeria Gomes/AE

Projeto no litoral de SP alia educação ambiental e preservação do boto-cinza

Jovens ajudam pesquisadores na promoção de consciência ambiental no estuário Lagamar

Tania Valeria Gomes, Enviada especial*,

08 Janeiro 2013 | 19h52

CANANÉIA (SP) - Um grupo de jovens com idades entre 14 e 17 anos é responsável por difundir a importância da preservação do hábitat do boto-cinza (Sotalia guianensis), golfinho de pequeno porte, no litoral sul de São Paulo. Conhecidos como "jovens pesquisadores", esta turma faz parte de um grupo formado pelo Instituto de Pesquisas Cananéia (IPeC), que tem entre seus programas o Projeto Boto-Cinza, criado oficialmente em 1999, mas que tem atuação no estuário Lagamar, onde está situado o município de Cananéia, desde o início dos anos de 1980.

O programa "Jovens Pesquisadores" já teve duas turmas e Talita Emanuele Oliveira de Quadros, de 17 anos, é uma das veteranas. No projeto desde 2011, quando começou, ela foi indicada para participar das atividades da ONG pela diretoria do colégio que estudava como forma de recompensá-la por ser uma boa aluna. Talita, que agora auxilia os mais novos, conta que a parte que mais gosta é a que se refere à educação ambiental.

"Eu gostei bastante da linguagem que a gente teve que desenvolver para passar para as crianças tudo o que a gente aprendeu", diz se referindo aos encontros promovidos pelo projeto em escolas para explicar os hábitos deste e de outros animais da região, além do delicado equilíbrio da natureza, para a população local. Os resultados da iniciativa podem ser verificados pelo interesse que desperta não só nas crianças, mas em toda a comunidade. Os bons frutos, Talita consegue ver até em casa. "Meu pai achava que para crescer era preciso destruir tudo, desmatar, construir indústrias. Aí depois que eu comecei a explicar para ele tudo o que eu estava aprendendo, ele começou a mudar o ponto de vista sobre este tipo de crescimento", diz a jovem.

Embora o boto-cinza esteja presente no Lagamar o ano todo - há uma população de cerca de 200 indivíduos neste estuário - a falta de informação prejudicava a proteção do meio onde estão inseridos estes animais. André José Alves, de 17 anos, diz que antes de dar uma palestra, treina em casa com os pais. "Eles nasceram aqui, meu pai e minha mãe, e sempre tiveram contato com a natureza, mas não tinham conhecimento a fundo sobre o boto-cinza, o quanto ele é importante para nossa região. Então quando a gente vai fazer palestras, a gente treina com eles e eles até tiram dúvidas", conta o jovem pesquisador que se inspirou no projeto e hoje quer cursar Ciências Biológicas para atuar como biólogo na região.

'Manual de etiqueta'

Além de trabalhar com crianças e jovens, o Projeto Boto-Cinza também busca o apoio de pescadores e barqueiros. Daiana Proença Bezerra, Coordenadora de Educação Ambiental do projeto, conta que o grupo faz oficinas para mostrar quais são as normas de conduta que os trabalhadores devem ter ao se aproximar de um grupo destes animais, como por exemplo, diminuir a velocidade quando estiver a 500 metros dos botos ou deixar a embarcação em ponto morto quando estiver a 50 metros. As orientações são mais do que dicas, elas fazem parte da lei 2129, aprovada em 2011, e que regulamenta as atividades com fins comerciais de turismo, lazer e esporte náutico no município de Cananeia.

"A nossa oficina é prática. Vai uma pesquisadora com eles, no nosso barco, para falar o que eles devem fazer", explica Daiana. Quem participa da oficina recebe um selo de amigo do boto-cinza para colocar na embarcação, detalhe que pode servir de diferencial na hora de vender os serviços para avistar os animais para os turistas.

O estuário Lagamar tem um grande potencial para este tipo de turismo. Em alguns pontos da região, os animais podem ser vistos da praia. Cerca de 7% das pessoas que visitam a região atualmente têm como principal objetivo a observação do boto.

* A repórter viajou a convite do Projeto Boto-Cinza.

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