Projeto arrecada US$ 2 milhões para reflorestar Mata Atlântica

Parceria vai reflorestar área equivalente a 4 parques do Ibirapuera

Fernanda Fava, estadao.com.br

11 Junho 2010 | 18h59

O projeto de restauração da Mata Atlântica na América do Sul - ecossistema que engloba o sul e o sudeste do Brasil, além de uma parte da Argentina e do Paraguai - começou em 2009, quando a ONG The Nature Conservancy e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) lançaram a campanha internacional Plant a Billion com a intenção de incentivar o plantio de um bilhão de árvores da Mata Atlântica na América do Sul.

 

Em março deste ano, por meio de seus 6,2 milhões de revendedores autônomos, a empresa de cosméticos Avon passou a incentivar seus 300 milhões de consumidores no mundo a doar US$ 1 nas compras para o projeto - no Brasil o valor foi de R$ 2. A campanha, chamada Viva o Amanhã Mais Verde, foi levada a 60 países, entre eles o Brasil, o México, o Japão e a Rússia. Inicialmente a empresa esperava arrecadar US$ 1 milhão, mas apenas três meses depois, já levantou US$ 2 milhões até o momento, o que permite o plantio de aproximadamente 2 milhões de árvores numa área de 500 hectares no Estado de São Paulo e outros 200 hectares no Espírito Santo, que somados representam a área de quatro Ibirapueras.

 

"As árvores que estamos colaborando para plantar com o valor arrecadado representam um marco inicial de um esforço global pela preservação do planeta", afirma a CEO e presidente da Avon, Andrea Jung. “Além de levantar fundos, visando a recuperação das árvores, estamos também elevando a capacidade desta imensa rede humana feminina de compartilhar também dados simples sobre como preservar, reciclar, reutilizar a partir de ações simples em nosso dia-a-dia.”

 

De acordo com o coordenador de restauração ecológica da Nature Conservancy no Brasil, Aurélio Padovezi, os locais escolhidos para restauração e replantio foram os estados de São Paulo e Espírito Santo. Em São Paulo o projeto já tem uma ação iniciada nos municípios de Joanópolis, Piracaia e Nazaré Paulista, na Serra da Cantareira, com apoio das prefeituras locais. "Esperamos já começar o plantio na próxima época das chuvas", explica.

 

Para a restauração, inicialmente é feita a prospecção de áreas. "De preferência, escolhemos regiões ligando áreas fragmentadas." É feito um levantamento das espécies de flora que existem no local, o quanto a área está degradada e o que é necessário plantar, que tipo de espécies nativas se adequam melhor ao clima e ao solo. Em seguida, é preciso haver diálogo com os proprietários de terras para convencê-lo de que a preservação é necessária. Para isso, a Nature Conservancy usa um sistema de pagamentos por serviços ambientais, no qual o pequeno produtor recebe para não desmatar ou para conservar a mata em pé."Trazer a fauna local para participar da restauração de uma área degradada é também muito importante, pois pássaros, morcegos, cotias e pequenos roedores carregam sementes."

 

Em área bastante degradadas, segundo Padovezi, o trabalho de restauração, reflorestamento e monitoramento pode levar até dez anos para garantir que o ecossistema poderá se manter sozinho. "Locais intactos podem ser restaurados em até dois anos."

 

O próximo passo é que, possivelmente a partir do mês de julho, o consumidor que investiu no plantio de árvores possa conferir na internet, na página da web da Nature Conservancy, onde as mudas estão sendo plantadas, as propriedades e o nome dos proprietários e, desta forma, monitorar onde o seu dinheiro está ajudando.

 

Para Padovezi, a principal contribuição da participação de empresas privadas com campanhas, como a Viva o Amanhã Mais Verde, é a articulação que isso possibilita ao projeto para conseguir apoio e suporte locais. "Provavelmente sem o apoio, plantar uma árvore custaria nem mais que um dólar, mas a iniciativa ajuda a mobilizar e reduzir os custos."

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