Projeto analisa nuvens perto da estratosfera

Aeronave científica observou pela primeira vez composição de microscópicas gotas de chuva nos limites da camada de gás

O Estado de S. Paulo

01 Agosto 2015 | 03h00

Um fenômeno até agora desconhecido pela ciência foi observado nas nuvens amazônicas pelo avião da Agência Aeroespacial Alemã. Voando a 18 quilômetros de altura e a 600 km/h, a aeronave científica observou pela primeira vez a composição das microscópicas gotas de chuva no alto das imensas nuvens de chuva que vão até os limites da estratosfera.

Segundo Paulo Artaxo, os dados indicam uma grande produção de partículas jorrando pelo alto dessas nuvens. “Acreditamos que essas partículas são provenientes de gases orgânicos que a própria floresta emite. Esses gases são sugados pelas nuvens, sobem verticalmente e vão esfriando, até que se condensam, formando as partículas que são ejetadas quase na estratosfera”, afirmou Artaxo.

Esse mecanismo, segundo ele, poderá ser fundamental para explicar as características especiais das chuvas na Amazônia. “Provavelmente, esse novo mecanismo é o que permite a formação de partículas em áreas tropicais. Essas partículas, provenientes de gases da floresta, podem influenciar a condensação no interior das nuvens da região, além de alterar o balanço de radiação solar. Essa é mais uma interação entre a floresta e o clima da região amazônica, que até agora era totalmente desconhecida”, disse. 

Os pesquisadores do GOAmazon estão agora analisando as novas partículas, para desvendar sua composição química, suas propriedades ópticas e sua capacidade de servir como base para a condensação de gotas de chuva nas nuvens.

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