Produtos verdes conquistam o interesse de brasileiros

Demanda vai pressionar empresas a trilhar novo caminho

Giovana Girardi,

03 Setembro 2008 | 23h59

Se o modelo de consumo excessivo é um dos vilões do sistema, cabe ao consumidor mudar seus padrões. Além de reduzir seus próprios excessos, uma das maneiras de fazer isso é optar por produtos de empresas responsáveis socioambientalmente.  Atual matriz de produção pode levar a colapso Por um modelo que estenda benefícios ‘Estava pilhando o planeta e não queria deixar esse legado’ Bônus para carro menos poluidor Critério ambiental na lista de compras Parece, mas não é: como identificar o falso sustentável Novo PIB deve incluir indicador de felicidade Mudança a passos lentos A história das coisas Quiz - Consumo dos recursos naturaisPerguntas e respostas sobre reciclagem "A sociedade autorizou a falta de sustentabilidade; como mercado consumidor, vamos ter de desautorizar", afirma Helio Mattar, presidente do Instituto Akatu, ONG que defende o consumo consciente. "É a demanda do consumidor que vai fazer com que mais empresas invistam em trilhar um novo caminho", diz. A pressão do público já começa a ser sentida. Pesquisa da consultoria Ernst & Young com 70 especialistas de todo o mundo detectou que os chamados consumidores radical greening (radicais verdes) já são considerados um dos riscos para o negócio, ao lado de mudanças na legislação e inflação, por exemplo, a ponto de influenciar o comportamento das empresas.  Aquelas que não se comprometerem com mudanças poderão ser banidas - as mais visadas são as de energia e do setor automobilístico. "As grandes redes de varejo também trabalham com a perspectiva de que cerca de 18% de seus consumidores fazem uma análise, mesmo que simples, da responsabilidade socioambiental dos produtos antes de escolherem qual levar", afirma o diretor de Sustentabilidade da Ernst & Young, Joel Bastos. Em resposta, redes como Casas Bahia e Wal-Mart estão adotando o sistema de logística reversa, no qual o mesmo caminhão que entrega um produto ao consumidor já leva de volta as embalagens para reciclagem. Há ainda alguns indicadores que podem auxiliar o consumidor em suas compras. Um deles é a Escala Akatu, que lista empresas que adotam boas práticas. Outro são os selos, como de produtos orgânicos. "O pessoal ainda reclama que orgânicos são mais caros, mas hoje se desperdiça, em média, 30% dos elementos perecíveis nas casas. Se reduzir isso, dá para comprar o orgânico", diz Mattar. Outro recurso é o Catálogo Sustentável (www.catalogosustentavel.com.br), da FGV, que indica produtos considerados sustentáveis.

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