Principais blocos não acreditam em acordo

De acordo com The Guardian, países ricos, emergentes e ilhas já desistiram de tratado na COP

17 Dezembro 2009 | 11h40

De acordo com informações do jornal britânico The Guardian em seu site, representantes dos três principais blocos que participam das negociações do clima em Copenhague - os países ricos, as grandes economias em desenvolvimento e os pequenos Estados insulares - disseram que tinham desistido de atingir um acordo forte na COP-15.

 

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Na manhã desta quinta-feira, as discussões para salvar o planeta das mudanças climáticas estavam à beira do colapso, mas uma proposta americana retomou as negociações. Os Estados Unidos sugeriram que os países industrializados contribuíssem com US$ 100 bilhões anuais para um fundo destinado às adaptações de países pobres ao aquecimento global.

 

De acordo com o jornal Berlingske, uma fonte da delegação da Dinamarca, que não quis se identificar, disse que as falhas das negociações foram uma decepção monumental para os dinamarqueses. "Durante todo o processo, o problema é que este é um enorme quebra-cabeça onde todas as peças tiveram que cair no lugar ao mesmo tempo. Mas, para isso, os países tiveram que fazer um esforço sério e eles não estão dispostos a fazê-lo", afirmou a fonte.

No entanto, a Dinamarca poderia tentar relançar a sua versão oficial de uma proposta para as negociações da semana passada e impô-la na cúpula do clima da ONU. No entanto, o projeto - o texto dinamarquês vazou para a imprensa na semana passada - enfureceu os países em desenvolvimento, e sugeri-lo mais uma vez poderia desencadear o caos.

De acordo com o Guardian, a sensação de colapso foi agravada ainda mais quando a China - maior emissor do mundo e um componente essencial para qualquer negócio - disse que não vê possibilidade de alcançar um acordo detalhado para combater o aquecimento global. Um negociador disse que os chineses haviam sugerido, no lugar de um acordo, "uma curta declaração política de algum tipo", mas não ficou claro o que diria essa declaração.

A China ainda está comprometida com as negociações, de acordo com o proncunciamento em Pequim, nesta quinta, do porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Jiang Yu. "A China espera que a reunião de Copenhague seja bem sucedida, e teve sempre uma atitude construtiva", disse Jiang. 

O presidente das ilhas Maldivas, Mohamed Nasheed, cujo país poderia ser quase desaparecer com a elevação do nível do mar devido ao aumento da temperatura global, disse que estava vendo o fracasso. "Nós não vamos ter um acordo. Não há nenhum projeto. Estamos perante uma situação em que é possível que nada saia da COP-15 a não ser que os chefes de Estado decidam avançar com ele", disse Nasheed em um encontro de ONGs na noite passada. "Estou muito nervoso e decepcionado. Durante o curso dos últimos dois anos, os negociadores deveriam ter criado um documento para analisarmos amanhã, mas não conseguiram."

Ainda segundo a matéria do The Guardian, Dino Patti Djalal, um porta-voz presidencial da Indonésia, também apostava no impasse. "Estamos pensando que vai ser necessário que os líderes insistam muito até o último minuto", disse. Para ele, a incerteza sobre cortes de emissões dos principais países desenvolvidos somada à insistência dos Estados Unidos em um regime de controle para as reduções de emissões das economias emergentes levaram ao impasse.

O jornal britânico também mencionou que países Africano e as pequenas ilhas estão acusando a Dinamarca e os países desenvolvidos por tentar atrelá-los a um acordo sem terem compromissos fortes o suficiente para agir sobre as mudanças climáticas. "Os europeus têm quebrado a solidariedade africana", disse um negociador da Mauritânia. "Se estas negociações produzirem um bom acordo para a África, isso seria uma grande surpresa para mim. Existe uma enorme pressão sobre os chefes de Estado da África. Eles são muito fracos - especialmente em termos financeiros. Qualquer país africano que dependa do auxílio dos governos francês ou britânico não será capaz de levantar a voz para se opor a eles."

 

(Com informações do The Guardian)

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