AFP PHOTO /Sakis Mitrolidis
AFP PHOTO /Sakis Mitrolidis

Primeiro semestre deste ano foi o mais quente da história

Entre janeiro e junho de 2015, temperatura da superfície da Terra e dos oceanos ficou 0,85ºC acima da média do século 20, de 15,5ºC

Giovana Girardi e Jamil Chade, O Estado de S. Paulo

21 Julho 2015 | 07h01

Atualizada às 19h33

Como que para não deixar mais dúvidas, o aquecimento global acaba de bater mais um recorde. Os seis primeiros meses deste ano foram os mais quentes desde 1880, quando teve início o registro histórico, o que coloca 2015 na trilha para também bater o recorde de ano mais quente. Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 21, pela Noaa (Agência Nacional para Oceanos e Atmosfera dos EUA).

Entre janeiro e junho, a temperatura média da superfície da Terra e dos oceanos ficou 0,85 grau Celsius acima da média do período registrada no século 20, que foi de 15,5°C. O novo registro supera o recorde anterior para o primeiro semestre, de 2010.

As altas temperaturas seguem uma tendência que vem aparecendo em todo o século 21. Dos 10 anos mais quentes da história, com exceção de 1998, todos estão nos anos 2000. O mais alto até o momento foi 2014, que teve temperatura global de 0,69°C a mais que a média do século anterior. E a expectativa, diante desses dados, é que 2015 supere essa marca.

A situação neste ano está sendo intensificada pela ocorrência do El Niño, fenômeno de aquecimento das águas equatoriais do oceano Pacífico, que ganhou força nos últimos meses. “Se ele continuar se fortalecendo, parece quase certo que 2015 vai bater 2014 como o ano mais quente dos registros”, disse ao Estado Jessica Blunden, autora do relatório da Noaa.

“Nós estamos definitivamente vendo uma tendência de aumento das temperaturas (ano após ano). De acordo com a base de dados da Noaa, os recordes de meses com as mais altas temperaturas foram quebrados 26 vezes desde o início do século 21. Por outro lado, a última vez que um mês quebrou o recorde de menor temperatura foi dezembro de 1916.”

Junho de 2015 se enquadra no primeiro caso. O mês teve temperatura 0,88°C acima do padrão para o mês no século 20. Este foi o terceiro mês do ano a bater recordes. Os outros foram março e maio. O dado para junho foi observado também pelas medições da Nasa, conforme informou o Estado nesta segunda.

Ondas de calor têm sido experimentadas na Europa e na Ásia nas últimas semanas. Na França, as autoridades apontam para uma mortalidade superior às taxas médias para esses meses do ano e empresas em diversas partes autorizaram seus funcionários a abandonar gravatas e ternos. Em algumas partes do continente, os governos já começa a temer pela falta de água.

Na Suíça, o exército foi convocado a ajudar os criadores de gado a distribuir água aos animais. Pela primeira vez, o país registrou nove dias seguidos com temperaturas acima de 33°C. Alertas vermelhos ainda foram emitidos na Bósnia, Sérvia, Hungria e Croácia. Nos EUA, a onda de calor também atinge diversas regiões.

As elevadas temperaturas também foram sentidas nos polos. O gelo ártico ficou 7% abaixo da média registrada entre 1981 e 2010 e perto dos níveis mínimos, registrados em 2010. Em junho, a extensão do gelo foi a terceira menor desde 1979.

De acordo com o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), o Brasil também tem experimentado temperaturas mais elevadas neste ano. A média nacional das mínimas em junho, por exemplo, foi 1,7 °C maior que a média histórica. A base de dados do Brasil é de 30 anos. E em julho, os dados observados até ontem apontam para um aumento ainda maior, de 2,3°C. “Se não tivermos uma frente fria forte até o final do mês, julho também terá ficará bem acima da média”, explica o climatólogo Paulo Nobre.

Segundo ele, os sinais de El Niño mais visíveis, por enquanto, são as fortes chuvas no Sul do Brasil. “Podemos esperar que até o final do ano 2015 vai quebrar vários recordes.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.