Presidentes dos EUA são alertados sobre aquecimento global desde 1965, diz ambientalista

Para diretor de ONG, argumento oficial de país ignorava efeito da industrialização 'não é correto nem tem base moral'

14 Dezembro 2009 | 19h51

Em artigo publicado pelo blog de noticias Huffington Post, o ambientalista William Becker critica a posição do principal negociador americano na COP-15, Todd Stern, de reconhecer a responsabilidade dos países ricos por danos ambientais passados, mas rejeitar o pagamento de reparações. “A argumentação não é correta nem tem base moral”, diz Becker, diretor-executivo da ONG Presidential Climate Action Project, que se propõe a fornecer subsídios a ações do presidente Barack Obama na área ambiental, sem abdicar de críticas.

Stern disse em Copenhague que o governo dos Estados Unidos reconhece “seu papel histórico” no lançamento de poluentes na atmosfera. Alega, porém, que a sociedade americana era, durante a maior parte do período pós-Revolução Industrial, “alegremente ignorante” dos efeitos da emissão de carbono. “Rejeitamos categoricamente o senso de culpa ou de reparação.”

“No alto escalão acadêmico e governamental, não fomos ‘alegremente ignorantes’ do fato de que a industrialização levaria à mudança climática”, afirma Becker. “Os cientistas sabem da mudança climática desde o fim do século 19.” Segundo ele, desde meados do século 20 medições físicas confirmaram a relação entre emissões de gases causadores do efeito estufa e aquecimento global.

Becker diz que desde os anos 60 todos os presidentes americanos têm sido alertados sobre o fenômeno por seus assessores científicos. Ele cita um relatório enviado em 1965 a Lyndon Johnson, que afirma: “Até o ano 2000, haverá 25% mais gás carbônico na atmosfera que atualmente. Isto vai modificar o equilíbrio de calor na atmosfera de tal forma que podem ocorrer mudanças marcantes no clima, não controláveis por meio de esforços locais ou mesmo nacionais.”

“Nossa política climática tem sido dominada há um século pela negação, pela influência política da indústria da energia fóssil, e por ignorar a ciência no limite da pura negligência (ou além desse limite)”, diz Becker. “Se nós não devemos nos sentir culpados pelo nosso papel na mudança climática, então devemos ao menos aceitar a obrigação moral de ajudar nações  pobres.”

No artigo, o ambientalista afirma que, motivos à parte, o importante é que os EUA ajudem de fato os países sem recursos para evitar mais danos ao ambiente. Becker destaca, entre as ideias ventiladas na COP-15, a proposta do financista George Soros, de criação de um fundo de apoio aos países pobres de US$ 100 bilhões, lastreado por reservas do Fundo Monetário Internacional. “As nações mais pobres poderiam ter uma vitória moral forçando as economias industrializadas a caracterizar a ajuda financeira como reparação”, diz Becker. “Mas a vitória moral é menos importante do que o financiamento em si.”

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