Presidente da Câmara dos EUA critica BP por 'falta de integridade'

Empresa teria informado erroneamente governo sobre suas capacidades.

Alessandra Corrêa, BBC

10 Junho 2010 | 22h21

A presidente da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, disse nesta quinta-feira que houve "falta de integridade" por parte da petroleira britânica BP, responsável pela operação de uma plataforma que explodiu em abril, provocando vazamento de petróleo no Golfo do México.

"Está claro que houve falta de integridade por parte da BP em relação ao que nos informou sobre a adequação de sua tecnologia, de seus recursos para prevenção de explosões e de sua capacidade de limpeza", disse a democrata, após uma reunião na Casa Branca com o presidente Barack Obama e com líderanças do Congresso.

Ao ser questionada sobre se a BP deveria suspender o pagamento de dividendos a seus acionistas até garantir que as vítimas do vazamento de petróleo serão compensadas por suas perdas financeiras, Pelosi disse que sim.

"Eles faturaram US$ 17 bilhões no ano passado. Eles deveriam pagar esses pequenos comerciantes primeiro", afirmou.

Obama e os congressistas discutiram maneiras de atualizar a legislação americana para garantir que as vítimas do desastre no Golfo estejam cobertas.

Pagamento

Em meio ao crescente descontentamento popular por causa do acidente, o governo americano vem subindo o tom em relação à BP.

Nesta quinta-feira, o secretário de Justiça, Eric Holder, disse que os Estados Unidos não "vão pagar um centavo" para limpar a área afetada pelo vazamento e que a BP será responsabilizada por todos os danos.

"Eu posso garantir que o povo americano não vai pagar um centavo pela limpeza da região do Golfo e que a BP será responsabilizada por todos os danos ocorridos", disse Holder.

"Nós vamos tomar as medidas necessárias para assegurar que isso ocorra", afirmou o secretário de Justiça.

Grã-Bretanha

A crise provocada pelo vazamento tem provocado preocupações na Grã-Bretanha com uma suposta "retórica anti-britânica" e levou o governo americano a afirmar nesta quinta-feira que o acidente não vai afetar as relações entre os dois países.

"A BP é uma empresa privada", disse o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley. "Isso (o desastre) não interfere no relacionamento entre os Estados Unidos e seu aliado mais próximo."

O primeiro-ministro britânico, David Cameron, deverá discutir a questão com Obama neste fim de semana.

Nesta quinta-feira, as ações da petroleira britânica registraram queda de 6,6% na Bolsa de Londres.

Volume

Novos dados divulgados nesta quinta-feira pela US Geological Survey, ligada ao governo americano, calculam que o poço danificado, a uma profundidade de 1,5 mil metros, esteja derramando pelo até 40 mil barris de petróleo por dia no Golfo do México, o dobro do volume estimado até agora.

Segundo a BP, na quarta-feira um sistema de captação do petróleo derramado conseguiu coletar 15,8 mil barris, volume pouco superior aos 15 mil barris que a empresa diz ter coletado no dia anterior.

O vazamento começou no fim de abril, quando a plataforma Deepwater Horizon, operada pela BP, explodiu e afundou.

Cinco Estados americanos foram atingidos pela mancha de petróleo, e o vazamento já é considerado o pior desastre ambiental da história do país.

Nesta quinta-feira, Obama recebeu na Casa Branca familiares dos 11 funcionários que morreram na explosão.

Na próxima segunda-feira, Obama fará sua quarta visita ao Golfo desde o início do vazamento, em mais um esforço para rebater as críticas quanto à reação do governo diante do desastre.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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