Presidente da BP será sabatinado pelo Congresso dos EUA

Tony Hayward foi duramente criticado por sua atuação na crise do vazamento de petróleo no Golfo do México.

BBC Brasil, BBC

17 Junho 2010 | 05h57

O presidente-executivo da BP, Tony Hayward, deve comparecer ao Congresso americano nesta quinta-feira, um dia depois de a empresa ter concordado em criar um fundo de US$ 20 bilhões (R$ 36 bi) de indenização para as vítimas do vazamento de petróleo no Golfo do México.

A expectativa é de que Hayward diga ao Congresso que está "pessoalmente devastado" com a tragédia.

A empresa anunciou que não vai pagar dividendos aos acionistas, para economizar dinheiro dirigido ao fundo. A BP também anunciou que o dispositivo colocado sobre o vazamento há alguns dias voltou a operar depois de ser desligado brevemente.

O dispositivo, que busca coletar o petróleo vazado e canalizá-lo para um navio na superfície, foi desligado por cinco horas na terça-feira, depois de o barco em que o petróleo é estocado ter sido atingido por um raio.

Na quarta-feira, a BP anunciou que um outro sistema de contenção foi lançado, desenhado para trazer o óleo e o gás para serem queimados na superfície.

'Acidente complexo'

Hayward, que vinha sendo duramente criticado pela sua atuação na crise, deve prestar depoimento ao Congresso nesta quinta-feira à tarde.

A BP divulgou trechos de um texto que ele deverá ler diante do comitê, como esse: "Entendo totalmente a terrível realidade da situação".

O executivo também deve explicar aos congressistas em que pé está a investigação interna da BP sobre o vazamento.

"Entendo que as pessoas querem uma resposta simples sobre por que isso ocorreu e quem é responsável", ele deverá dizer.

"A verdade, no entanto, é que este é um complexo acidente, causado por uma combinação de falhas sem precedentes."

A BP concordou em pagar US$ 5 bilhões do fundo até o fim de 2010. O restante será pago ao longo dos próximos três anos.

O acordo foi anunciado pelo presidente americano Barack Obama depois de se reunir com executivos da empresa na quarta-feira, na Casa Branca.

"Vamos continuar a responsabilizar a BP e todos os outros envolvidos", afirmou Obama.

"E estou absolutamente confiante que a BP vai cumprir suas obrigações com a costa do Golfo e com os americanos."

"A BP é uma companhia forte e viável e é de nosso interesse que ela assim permaneça."

Obama insistiu que não haja um teto para o fundo de indenização da BP.

Analistas afirmam acreditar que as finanças da empresa sejam firmes o suficientes devem ser fortes o suficiente para resistir às despesas com o vazamento.

Ameaça

Políticos americanos acusaram a BP de não seguir os procedimentos apropriados depois da explosão da plataforma de exploração Deepwater Horizon no último dia 20 de abril.

Onze funcionários morreram na explosão, que fez com que a plataforma afundasse e causou o vazamento. Desde então, centenas de milhares de barris de petróleo já vazaram no Golfo do México.

Parte deste petróleo já chegou à costa de alguns Estados na região e o vazamento ameaça prejudicar negócios e a vida selvagem na região.

A mancha no mar já paralisou a indústria pesqueira na região e fez com que a BP perdesse bilhões de dólares de seu valor de mercado. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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