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'Preserve a Mata Atlântica: não depile'

Dia desses no Rio, Tatá Werneck quase apanhou por chamar a atenção de um homem que jogara lixo na rua. "Querido", advertiu ela, "você deixou cair esse papel". O homem respondeu: "Não, não, eu joguei no chão". Ela: "Não, não, o senhor vai jogar no lixo". E ele: "Vou jogar é na sua cara". E ela: "Então, joga!", e aí veio alguém e apartou a briga.

Cedê Silva, Especial para o Estado

01 Setembro 2011 | 15h42

A comediante de 28 anos diz nunca ter sido rebelde sem causa, mas foi expulsa de mais de um colégio por ser a favor de "entender seus direitos". Uma vez, representante de turma, colheu assinaturas para expulsar o diretor. Sentou-se com ele e entregou o abaixo-assinado. "Ele disse: "Cê tá louca, minha filha?" E chamou minha mãe".

Mas Tatá não é militante. "Não tenho feito nada para preservar o meio ambiente, mas também não atrapalho", afirma. "Desde nova fui educada a desligar o chuveiro enquanto me ensaboo, a apagar a luz, a pegar carona." Ela pouco assiste à TV, com a rotina nos estúdios (Quinta Categoria e Comédia MTV) e palcos (DEZnecessários, em turnê pelo interior de São Paulo).

Quando adolescente, fumava, bebia e comia carne. Foi gradualmente perdendo o gosto pelos três ao frequentar o spa Maria Bonita, em Nova Friburgo, aonde ainda vai nos feriados. "Lá é muito bonito e a comida é natureba. Fui pela primeira vez aos 18 anos, para emagrecer. Hoje vou para desintoxicar mental e espiritualmente. Dois dias já me renovam." Agora, come peixe todo dia. Gosta de wraps e comida japonesa. "Mas se estou com muita fome, como nugget, porque não considero nugget frango. É nugget".

Com mais de 430 mil seguidores no Twitter, diz ter muito cuidado com o que fala, por causa do exemplo para os jovens. Vai de táxi para a MTV, mas isso pode ser uma contribuição positiva para a cidade - segundo ela, dirige muito mal.

A especialidade de Tatá é o improviso. Desafiada a dizer coisas que não devem ser publicadas num caderno ambiental, disparou: "Preserve a Mata Atlântica. Não depile". Depois: "Os gases poluem o meio ambiente, principalmente os do [colega de palco] Rodrigo Capella". E por último: "Use papel reciclado. A menos que esteja num banheiro. Olha, vou até twittar essa."

A ESPECIALISTA

Defender as ruas, economizar água e "comer natureba" são parte de um jogo simbólico, diz a nutricionista Maria Cláudia Carvalho, co-autora do artigo Simbolismo sobre "natural" na alimentação. Para ela, a dieta mais adequada parece ser "o exercício de uma crítica sobre o que é melhor para nós - apresentados a comidas supostamente novas na velocidade do Twitter". A saúde não está na pseudonatureza construída em spas, diz ela, mas no pensamento crítico e na desconstrução de fetiches.

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