Prefeito de Nova York quer moinho de vento para gerar energia

O plano, que ainda está em suas fases iniciais, parece ser a proposta ambiental mais ousada do prefeito

Michael Barbaro, The New York Times

20 Agosto 2008 | 19h42

Em um plano que alteraria drasticamente o horizonte e as costas de Nova York, o prefeito Michael Bloomberg quer colocar turbinas nas pontes, arranha-céus e águas da cidade como parte de um incentivo para o desenvolvimento de energias renováveis.   O plano, que ainda está em suas fases iniciais, parece ser a proposta ambiental mais ousada do prefeito, que já fez da eficiência energética o ponto forte de sua administração.   Bloomberg disse que pediria a empresas privadas e investidores para estudarem como as turbinas eólicas poderiam ser instaladas por toda a cidade, com o objetivo de livrar, gradualmente, a cidade de seus fornecedores de energia sobrecarregados, que já produziram enormes apagões em Nova York na última década.   Bloomberg não especificou quais arranha-céus e pontes seriam candidatos a receber as turbinas, e representantes da prefeitura teriam que avaliar quais os prédios mais apropriados, juntamente com os proprietários.   Mas auxiliares disseram que para a área costeira, a prefeitura estava avaliando as localidades onde mais venta, como Queens, Brooklyn e Long Island. As turbinas poderiam gerar 10% da eletricidade que a cidade precisa em 10 anos.   "Estamos determinados a fazer de Nova York a cidade número um em produção de energia limpa no país", disse Bloomberg, quando apresentou seus planos em um discurso na terça-feira, 19, em Las Vegas.   Ele ainda evocou a imagem da estátua da liberdade, dizendo que um dia espera que sua tocha seja "acesa por energia eólica."   Mas a proposta do prefeito enfrenta diversos obstáculos sérios: as pessoas podem se opor às mudanças de aparência de seus bairros; a tecnologia pode ser excessivamente cara e Bloomberg tem apenas 18 meses de mandato para concretizar o plano.   Transformar Nova York em uma fonte de energia eólica pode levar anos, se não décadas, e podem ser necessárias permissões do governo estadual e federal. Partes da costa, por exemplo, são controladas pelo governo federal.   Bloomberg é conhecido por apresentar propostas ambiciosas que acabam não dando certo no final, como seu plano de preços para congestionamento em Manhattan.   Mas auxiliares dizem que ele está comprometido em desenvolver energias alternativas na cidade, e queria um avanço para a discussão.   "Em nova York", disse, no discurso, "nós não pensamos em energia alternativa como algo que possamos simplesmente importar de outras partes do país."   Confirmando a seriedade de suas intenções, disseram auxiliares, Bloomberg se reuniu com T. Boone Pickens, o barão do petróleo que está tentando construir a maior usina de energia eólica do mundo no Texas, para discutir as possibilidades do uso de tal tecnologia em Nova York.   E na tarde de terça-feira, 19, a cidade emitiu um comunicado oficial para empresas que tenham propostas para a construção de turbinas de vento, painéis solares e energia hidráulica para Nova York. "Nós queremos suas melhores idéias para criarmos planos para a cidade", disse o prefeito.   Rohit Aggarwala, diretor da pasta de planejamento e sustentabilidade da cidade, disse que as turbinas para prédios e pontes serão provavelmente muito menores que as das costas. "Elas podem ser feitas tão pequenas que as pessoas pensarão que fazem parte do design", disse." "Se o vento nos telhados pode gerar energia em qualquer lugar, esse lugar é aqui", acrescentou.   Aggarwala também acrescentou que desenvolver fontes de energia renovável em Nova York levará um tempo considerável. "Ninguém vai ver turbinas no Queens no ano que vem."

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