REUTERS/Yves Herman
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'Preciso entender melhor', diz ministro sobre números de alta de desmate na Amazônia

Dados divulgados nesta sexta-feira apontaram crescimento de alertas de desmatamento em outubro. Em Glasgow, Joaquim Leite disse que tentará compreender melhor os registros

Célia Froufe, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2021 | 15h47

BRASÍLIA - O ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, disse nesta sexta-feira, 12, que precisa "entender melhor" os dados que apontaram alta recorde de desmatamento no mês de outubro na Amazônia. Conforme divulgado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Amazônia Legal teve uma área de 877 km² sob alerta de desmatamento, o que equivale a uma alta de 5% em relação a 2020 e recorde para o mês nos últimos sete anos.

Leite, que está em Glasgow participando da Conferência do Clima da ONU (COP-26), disse que quando retornar a Brasília buscará se reunir com o ministro da Justiça, Anderson Torres, para que ele explique melhor o andamento das ações que coordena. Torres tem sob seu comando a Polícia Federal (PF) e a Força Nacional de Segurança, que desenvolvem ações de combate a crimes ambientais.

"O desmatamento é desafio brasileiro, mas aqui estamos falando do desafio global", disse. "Não estamos fugindo do desafio. Vou me encontrar com o ministro da Justiça para entender esses números. Vi, mas quero que ele me explique melhor", comentou.

O Inpe, responsável pela divulgação do dado desta sexta-feira, é um órgão do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações, comandado pelo ministro Marcos Pontes

Nos últimos meses, Leite vinha enfatizando a redução do desmatamento na média trimestral de agosto e setembro e atribuindo a melhora dos dados a ações conjuntas de vários ministérios.

Leite disse nesta sexta-feira que o destravamento do Fundo Amazônia está a cargo do vice-presidente, Hamilton Mourão, mas adiantou que, até onde sabe, não há novidades sobre o tema. "Quando houver, eu aviso vocês", prometeu durante entrevista coletiva realizada em Glasgow.

Ele abordou o assunto quando questionado por um jornalista sobre o dinheiro parado no fundo. Um dos pontos mais repetidos pelo ministro durante a Convenção do Clima foi o da necessidade de os países ricos ampliarem os recursos destinados aos países em desenvolvimento para adotarem ações de sustentabilidade.

Depois da coletiva, o ministro voltou a público para fazer um balanço das ações do governo durante a COP. "Tínhamos o desafio de trazer o 'Brasil real' para o evento."

O ministro do Meio Ambiente voltou a criticar a falta de um posicionamento mais claro do acordo sobre os países ricos concederem recursos todos os anos voltados aos países mais pobres, acordado durante o Acordo de Paris. "O financiamento deveria ter a mesma ambição das metas", disse em relação à cobrança de várias lideranças de que os países assumam objetivos mais duros para mitigar as emissões.

"Pelas conversas que tivemos, não vamos chegar a US$ 100 bilhões em 2021", relatou. Segundo ele, a promessa agora é chegar a US$ 100 bilhões em 2024, mas "o volume não é suficiente para transformar a economia de todos os territórios em neutra", repetiu.

Regras para mercado de carbono 

As negociações na COP-26 sobre a elaboração de um livro de regras para a criação de um mercado de carbono global estão próximas do fim, de acordo com o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite. "Espero que nas próximas horas se chegue a um consenso", disse.

De acordo com Leite ainda faltam "alguns passos" para se atingir um ponto em comum, mas ele garantiu que o Brasil "fez sua parte" nas negociações. 

Na edição anterior da COP, realizada em Madri, o País foi apontado como um dos algozes do travamento das discussões para a criação do mecanismo. Segundo o ministro, há algumas pendências na questão do texto final do documento. Ele observou que "dois ou três" países estão colocando alguns obstáculos.

Leite não quis, entretanto, apontar quais são essas nações, alegando que se trata de uma negociação multilateral. Se fosse uma reunião bilateral, explicou, poderia adiantar, pelo menos quais os pontos já estariam fechados. "Estou otimista, mas não tenho garantia de que mercado de carbono será fechado", disse. 

A programação do evento se encerra nesta sexta-feira, mas é possível que as negociações sobre o livro de regras do mercado de carbono continuem durante o fim de semana.

O ministro fez questão de enfatizar que o Brasil mudou seu posicionamento histórico em relação à questão, como adiantou ontem o Broadcast. "O Brasil fez um movimento claro. A nova posição do Brasil foi importante para que peças do jogo se movimentassem", garantiu, sem dar mais detalhes. Ele disse ainda que o governo brasileiro tem interesse na criação do mercado de carbono porque o País é um potencial exportador de créditos.

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