Praia do Sono começa a ganhar saneamento ecológico

Um paraíso em meio à mata atlântica, com pequenas casas de caiçaras e barquinhos no mar. O belo cenário de Praia do Sono, em Paraty, no Rio de Janeiro, estava constantemente ameaçado pela falta de saneamento básico até novembro do ano passado. Foi quando começou a ser instalado no local um sistema de tratamento ecológico de esgoto, fruto da ação de fóruns comunitários com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Fundação Nacional de Saúde (Funasa).  A escola municipal Martim de Sá foi escolhida para iniciar o projeto. Concluído esse passo, agora o sistema de saneamento vai chegar a casas próximas do Rio do Sono. “Estamos avaliando a situação sanitária das residências para identificar as que representam maior risco à saúde ambiental", explica o pesquisador da Fiocruz Cristiano Lafetá. De acordo com ele, dez casas serão escolhidas para receber diferentes técnicas de saneamento ecológico domiciliar. O sistema montado para Praia do Sono inclui a criação de fossas sépticas e verdes, que, ao contrário das valas negras existentes, não contaminam o lençol freático. Na chamada fossa verde, as raízes das plantas absorvem os resíduos da decomposição de matéria orgânica e a também a água, que depois será eliminada por evapotranspiração. A tecnologia utilizada no processo foi desenvolvida por pesquisadores da Fiocruz e o sistema, montado após diversas reuniões com os líderes da comunidade, onde vivem cerca de 60 famílias. A instalação das fossas conta com técnicos do Observatório de Territórios Sustentáveis e Saudáveis do Mosaico Bocaina (OTSS) e do município. Há, ainda, envolvimento direto dos beneficiados. “Vários moradores foram contratados nas obras, para que se tornem agentes modificadores e passem também a ensinar o sistema para os demais”, diz Jadson dos Santos, um dos líderes da comunidade e  integrante do Fórum das Comunidades Tradicionais de Angra dos Reis, Paraty e Ubatuba (FCT). Introduzido o saneamento, o Rio do Sono voltará a ser como antes. “Foi comprovado que a água estava realmente poluída e imprópria. Muito triste, já que o rio é muito usado para diversão dos moradores”, comenta a secretária executiva do FCT Marcela Cananéa. Além disso, esse rio deságua no Rio da Barra que desemboca no mar. O saneamento evitará que ambos sejam contaminados.  Não apenas o ecossistema será favorecido. A ação também vai melhorar a saúde dos moradores. Presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (Abes), Dante Pauli aponta que o saneamento é um dos setores mais importantes para a sociedade. “Ele garante a erradicação de doenças e o fornecimento de água de qualidade para a população.”  * Giovanna Torres Fabbri é aluna da PUC-SP e finalista do 3º Prêmio Tetra Pak de Jornalismo Ambiental

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