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Pouco turismo ameaça conservação

Para especialista americano, baixa visitação aos parques nacionais é um 'mau presságio'

Bruno Deiro, O Estado de S.Paulo

27 Setembro 2012 | 03h08

O baixo índice de visitantes nos parques nacionais ajuda a explicar a falta de engajamento para a implantação de unidades de conservação no País.

É uma das constatações que o norte-americano James Barborak, especialista da Universidade do Colorado, pretende apresentar hoje em sua palestra no 7.º Congresso Brasileiro de Unidades de Conservação (CBUC), em Natal.

Segundo levantamento feito pelo Ministério do Turismo em 2011, os 31 parques nacionais abertos ao público receberam 4 milhões de visitantes em 2009 - nos EUA, apenas um, o Great Smoky Mountains National Park, recebe anualmente cerca de 10 milhões.

"São só alguns milhões de visitantes por ano, em um país com quase 200 milhões de habitantes. Isso não é um bom presságio para aumentar o apoio do público e dos tomadores de decisão para a necessidade de conservação", diz Barborak, que dirige o Centro de Treinamento e Manejo de Áreas Protegidas da Universidade do Colorado. "É preciso melhorar a infraestrutura de acesso com trilhas, locais de observação e áreas de piquenique, com a ajuda da comunidade e de parcerias público-privadas."

Para Barborak, o turismo é a melhor forma de angariar apoio à causa, mas não pode servir como forma de financiamento, mesmo nos próprios parques. "Até nos EUA as taxas de turismo cobrem apenas 10% do total da verba para os parques nacionais", afirma.

Ele defende um amplo sistema nacional de conservação, com ações integradas de todas as esferas do governo, para que haja verbas estáveis. "As perspectivas a longo prazo para qualquer sistema de áreas protegidas dependem em grande parte de se ter estratégias econômicas sustentáveis, e múltiplas formas de financiamento", afirma.

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