Portugal pretende inaugurar primeira rede de carros elétricos do mundo

Secretário de Energia português afirma que a rede de abastecimento de veículos elétricos vai abrir em 2011

Reuters

20 Outubro 2010 | 15h51

Portugal está a caminho de abrir, em 2011, a primeira rede de abastecimento de veículos elétricos (EVs) do mundo, afirmou o secretário de Energia português Carlos Zorrinho.

 

O país, que é dependente de combustíveis fósseis importados, pretende substituir 10% da frota com veículos elétricos até 2020, com o objetivo de reduzir importações e absorver o fornecimento da crescente indústria de energia eólica.

 

"Na primeira metade de 2001, Portugal terá uma rede nacional para carregar esses veículos. Será possível viajar pelo país inteiro sem problemas de carregamento elétrico", contou Zorrinho, durante o Fórum Europeu sobre a Energia do Futuro, que acontece até quinta-feira em Londres.

 

A rede, que se chama MOBI.E e é controlada pela companhia Energias de Portugal, vai incluir 1,3 mil estações de carregamento normais e 50 rápidas em shopping centers, estacionamentos, postos de gasolina e hotéis em 25 cidades do país.

 

O sistema de carregamento será compatível com todas as marcas de veículos elétricos, inclusive motocicletas elétricas e veículos pesados, quando estiverem disponíveis.

 

Portugal espera que o uso abragente de carros elétricos possa barrar a necessidade de importar combustíveis e ajudar a absorver parte da energia limpa que será gerada nas próximas décadas.

 

O plano é de melhorar a capcidade energética do setor eólico de 5 gigawatts, valor que se espera ao final de 2010, para 8,5 GW em 2020, já que o país é isolado da rede energética do resto do continente europeu, por conta da não-conexão das linhas de energia entre Espanha e França.

 

A construção de linhas que cruzem os montes Pireneus até a França foi adiada por anos, aprisionando grandes quantidades de energias renováveis na Península Ibérica.

 

"Essa talvez seja a principal fragilidade da Europa para ser competitiva com o resto do mundo", defende Zorrinho. "As redes de energia não são desenvolvidas, e não permitem que exista um mercado interno de energia. Existem barreiras físicas."

 

Lisboa oferece €5 mil para os compradores dos primeiros 5 mil EVs colocados à venda, com posteriores benefícios fiscais e mais €2,3 mil para a venda de motores velhos a combustão.

 

O preço alto dos veículos elétricos, comparado àqueles movidos à gasolina ou diesel, é o maior obstáculo para a venda de EVs em outros países europeus.

 

Em Portugal, entretanto, as altas taxas em carros convencionais fazem com que os EVs sejam apenas um pouco mais caros do que os competidores que emitem gases estufa, fazendo com que os elétricos sejam uma opção atraente para os consumidores.

 

Suporte Solar

 

Portugal possui um dos maiores setores de energia solar do mundo, que recebe grandes incentivos governamentais, mas, ao contrário da Espanha e da Alemanha, que buscam podar o suporte a projetos solares, Lisboa não tem planos de cortar subsídios.

 

Segundo Zorrinho, "Não há planos de redução. O desenvolvimento desse setor é crucial". E pontua: "Nós vamos manter todos os compromissos com essa indústria".

 

O secretário também diz que o suporte financeiro para os projetos existentes foi assegurado, mas como os custos para tecnologia caem, menor será o suporte necessário para fazer a energia solar ser competitiva no futuro.

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