Marcos Correa/PR
Marcos Correa/PR

Porta-voz diz que governo federal não descarta receber ajuda enviada pelo G-7

Posição é contrária à sinalização feita pelo Planalto na noite desta segunda. Nesta terça, Bolsonaro mudou o posicionamento e atrelou recebimento de recursos à retirada de 'insultos' ditos por Macron

Mateus Vargas, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2019 | 20h11
Atualizado 27 de agosto de 2019 | 20h22

BRASÍLIA - O porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, reforçou nesta terça-feira, 27, que o governo não descarta receber ajuda de US$ 20 milhões, equivalente a R$ 83 milhões, oferecida pelos países do G-7. A versão contrasta com o que foi dito nesta segunda-feira, 26, pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, ao portal G1 e pela assessoria de imprensa do Planalto, que descartaram usar os recursos.

O recuo, no entanto, já havia sido sinalizado por Jair Bolsonaro na manhã desta terça-feira, 27, quando disse reconsiderar a ajuda caso o presidente da França, Emmanuel Macron, retire "insultos" contra ele.  O porta-voz disse que a mudança de versões não é um recuo de Bolsonaro. "O presidente avança em direção ao bem-estar da nossa sociedade", disse.

Segundo o general, a condição para receber qualquer ajuda externa é que o Brasil terá "governança total" sobre como será aplicado o recurso. Rêgo Barros afirmou que o governo estudará se é "possível acatar" a ajuda. 

Questionado mais de uma vez se uma das condições para receber ajuda do G7 é retratação do presidente da França, Rêgo Barros desconversou.  "O governo brasileiro está aberto a receber suporte financeiro de organizações e países. O ponto essencial (para aceitar a ajuda) é que este dinheiro terá governança total do povo brasileiro", disse. "Se o G-7 oferecer a ajuda como organismo internacional, e o Brasil entender que é possível acatar, será acatado", reforçou. 

Rêgo Barros disse que o ministro Onyx apresentará a Bolsonaro na quinta-feira, 29, ações estudadas de curto, médio e longo prazo para a Amazônia. Segundo o porta-voz, o presidente decidirá quando e de que forma anunciar as medidas. Ele não detalhou o que está em estudo, mas sinalizou que inclui definição sobre uso de ajudas externas, como do Fundo Amazônia e G-7, além de medidas que podem passar pelo Congresso, como alteração na legislação ambiental e sobre exploração de terras demarcadas. O general ainda afirmou que o governo "não rasga dinheiro e não rasgará".

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.