Governo do MS/Divulgação
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População de MS sofre com as queimadas e a fumaça

Número de incêndios cresceu mais de 300% no Pantanal e MS decretou situação de emergência; pessoas sofrem principalmente com problemas respiratórios

Natália Capillé, especial para, O Estado de S.Paulo

12 de setembro de 2019 | 16h03

CORUMBÁ - A população da cidade que lidera o ranking nacional de queimadas, Corumbá, e da cidade vizinha, Ladário, que está a pouco mais de 5 km de distância, sofre com as consequências da fumaça proveniente do Pantanal e também da Bolívia. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apontam que o número de incêndios no Pantanal de 1.º de janeiro a 11 de setembro deste ano cresceu 334% em relação ao mesmo período de 2018. O número saltou de 1.039 para  4.515. A situação fez com que o governo de Mato Grosso do Sul decretasse situação de emergência. 

Janaci Marques de Amorim, de 31 anos, foi nesta quinta-feira, 12, às 3h da manhã, procurar atendimento no Pronto Socorro Municipal. "Eu não estava conseguindo dormir, estava passando muito mal, com a pressão muito baixa, suor, calafrios, dificuldade de respirar e muita dor no tórax. Não conseguia me movimentar direito. De madrugada, liguei para uma amiga me trazer ao PS. Vi no raio-x uma mancha no meu pulmão e fui diagnosticada com broncopneumonia”, disse. Janaci está internada na Santa Casa de Corumbá, o único hospital público que atende a população de Corumbá, Ladário e os municípios vizinhos da Bolívia.

A enfermeira e coordenadora da Rede de Urgência e Emergência, da Secretaria Municipal de Saúde de Corumbá, Patrícia Daga Moreira Garcia, conta que a população de Corumbá e Ladário tem procurado os serviços de urgência desde o mês passado. "Quando aumentou a fumaça na cidade, registramos um aumento no fluxo de pessoas que procuram o Pronto Socorro e a Unidade de Pronto Atendimento - UPA do município; cerca de 40% são pacientes que estão com problemas respiratórios.”

Dirce da Conceição Arruda, de 78 anos, também procurou atendimento na rede pública. “Eu moro sozinha, mas, às vezes, minha neta dorme comigo. Nesta noite fiquei muito ruim, sorte que ela estava em casa. O Samu me trouxe para cá já era quase dez da noite. O médico falou que estou com começo de pneumonia, eu sempre coloco um vestido ou uma toalha molhada na cabeceira da minha cama, mas o tempo está muito ruim, horrível de respirar”, afirmou.

São inúmeros os problemas no sistema respiratório causados pela fumaça, como rinite, sinusite, bronquite, asma, tosses alérgicas, além de nariz entupido, ardência na garganta, conjuntivites, irritação nos olhos, alergia e vermelhidão na pele, doenças cardiovasculares, dentre outras.

Cuidados

O médico Lauther da Silva Serra, que atende na rede de urgência da cidade, alerta sobre os cuidados que as pessoas devem ter nesta época do ano. "É fundamental se manter hidratado, tomar bastante água, lavar o nariz com soro fisiológico e umidificar os ambientes, que pode ser feito com toalhas molhadas, baldes com água ou aparelhos umidificadores”. E indica: “os cuidados com crianças, idosos ou pessoas que possuem alguma comorbidade, que é a presença de uma ou mais doença graves, devem ser redobrados. Por serem mais vulneráveis, o quadro clínico pode avançar mais rápido”.

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